Vodka no Ocidente

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A Revolução Russa de 1917 fez com que muitos russos fugissem de sua terra natal e esses exilados espalharam seu conhecimento e entusiasmo pela vodka nos novos países em que se estabeleceram. Certo emigrante, Vladimir Smirnov, acabou indo para a França, onde estabeleceu uma pequena destilaria perto de Paris e, dando ao nome um toque francês, criou a marca que hoje conhecemos como "Smirnoff".

Em 1934, Vladimir foi obrigado a vender sua produção para um compatriota expatriado, Rodolph Kunnet, que, sob o seu antigo nome Kukhesh, tinha fornecido grãos à família Smirnov antes da Revolução. Rudolph adquiriu os direitos exclusivos para vender vodka Smirnoff nos EUA e no Canadá e estabeleceu uma destilaria para produzir vodka em Connecticut, EUA. A empresa mudou de mãos novamente no final dos anos 30, quando Kunnet vendeu para John Martin de Heublein Co, uma pequena empresa de bebidas com base em Connecticut. Em 1951, Heublein adquiriu os direitos mundiais da Smirnoff da viúva de Vladimir e, em 15 de agosto de 1952, W & A Gilbey Ltd (agora parte da Diageo) concordou em fabricar e vender vodka Smirnoff na Grã-Bretanha.

É bastante justo dizer que o "boom" da vodka no ocidente foi iniciado por Smirnoff. Os mercados Britânicos e Norte Americano eram e ainda são, em termos de volume, dominados pela Smirnoff. A forte identificação que o mercado mantinha entre a Rússia, a vodka e o rótulo Smirnoff, significava que até o final da década de 80, a maioria das marcas de vodkas ocidentais utilizava da imagem romântica da Rússia Czarista, usavam sobrenomes russos e rótulos decorados com imponentes cristas. Pouco se falava do que a vodka era produzida - frequentemente de melaço neutro destilado ao invés dos caros destilados de grãos neutros.

O lançamento de marcas de vodka como a Finlandia, nos anos 60 e 70 nos Estados Unidos e no Reino Unido, coincidiu com a revolução cultural dos "swinging sixties", relacionado à geração mais jovem afluente, o fim da austeridade pós-guerra e um estilo de vida geralmente mais descontraído. A vodka era vista como um destilado puro moderno, que não causava ressaca e era inodoro, portanto não poderia ser detectado no hálito de um consumidor. Em 1975, as vendas nos Estados Unidos haviam superado as do bourbon.

Suécia e Finlândia, devido à sua proximidade com a Rússia, têm uma herança de vodka bem estabelecida e durante a década de 80, o produto sueco Absolut transformou a imagem da vodka ocidental, graças ao marketing e publicidade icônicos.

Outro momento decisivo do mercado surgiu no início de 1996, quando a Vodka Belvedere foi lançada nos EUA. Seguidos pela francesa Grey Goose, de Sidney Frank, em 1997 e a vodka holandesa Ketel One, em 1998. Essas vodkas possuíam os preços mais elevados do que a concorrência e eram comercializadas como bebidas de luxo, criando assim a categoria de vodka super-premium.
Hoje, a Suécia, a Finlândia, Países Baixos e a França têm reputações bem estabelecidas de vodka de qualidade. Estes produtos tendem a ser comercializados através de imagens modernas, enfatizando a pureza do produto. Embora Holanda e França sejam relativamente novos no mercado da vodka, vêm produzindo destilados neutros de qualidade como base para gin e licores durante séculos, por isso os destiladores já estavam bem posicionados para se beneficiar da crescente popularidade da vodka.

Enquanto Sidney Frank sentiu que tinha que ir para a França, para ter uma autêntica história de luxo por trás da Grey Goose, os destiladores americanos de hoje se orgulham de usar o grão e a água de seu próprio país - e até mesmo suas uvas e batatas - para produzir e aumentar o número de destilarias pequenas com vodkas de pequenos lotes, juntamente com um número maior de marcas voltadas ao mercado em massa.

Como resultado do aumento da escala e do crescimento da produção (marcas são produzidas do Canadá à Nova Zelândia, via Áustria e Itália), é difícil dar uma descrição precisa das características das vodkas ocidentais. Tradicionalmente, elas eram consideradas relativamente neutras em estilo, devido à sua origem através de métodos modernos de destilação e a mais alta tecnologia de colunas de destilação. No entanto, nos últimos anos, os produtores de boutique e de luxo têm empregado diferentes tipos de cobre, particularmente alambiques de cobre, para "finalizar" destilados retificados e adicionar um pouco das características que detratores de vodka achavam faltar. Uma tendência recente é adicionar um toque de sabor quase imperceptível, através da re-destilação com pequenas quantidades de botânicos secretos.

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