A evolução do coquetel Martini

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Em sua forma mais simples e verdadeira, um Martini é uma mistura de gin e vermute, talvez com um traço ou dois de bitters, e decorado com uma azeitona ou um twist. No entanto, o nome Martini foi aplicado a uma miríade de coquetéis diferentes (são mais de 200 neste site), muitos dos quais estão muito longe de um "verdadeiro Martini". Embora a maioria seja servida na icônica taça em forma de V.

Martini: origens e história

Como em muitos casos, ninguém realmente sabe qual a origem do Martini, mas a teoria mais aceita é a que ele evoluiu do Martinez, que por sua vez evoluiu do Manhattan. A linhagem é complicada pelas inúmeras variações e reencarnações entre 1882 a 1910, que deram origem a uma família de drinks relacionados, do Martini ao Marguerite, Martine, Martigny, Martina, Martineau e o Bradford a la Martini.

A primeira receita escrita conhecida para o Martinez (baseado em genever holandês ou gin old tom com a adição de vermute doce, curaçao e bitter de laranja) aparece em O.H. Byron's 1884 The Modern Bartender , como uma variação do Manhattan. Então, na segunda edição do seu Bartender Manual (1888), Harry Johnson incluiu a primeira receita conhecida para um "Martini", listando seus ingredientes como gin old tom, vermute doce, curaçao laranja, goma, Boker's bitters e um toque de limão. Uma segunda receita semelhante de Martini aparece em 1891 no Bartenders Guide, de Henry J. Wehmann, e também é baseado em old tom e, adicionalmente, pede xarope de goma.

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Martini Cocktail no Harry Johnson's Bartender's Manual

Alguns dizem que o Martini é apenas um Marguerite renomeado, por causa da marca de vermute usada em seu preparo. A receita conhecida mais antiga do Marguerite aparece no Bartender's Manual (1900) de Harry Johnson. Em seu Daly's Bartenders Encyclopedia de 1903, Tim Daly omite anisette em sua receita Marguerite (partes iguais gin e vermute com uma pitada de laranja, devido ao uso de curaçao laranja, bitters laranja e um twist de casca de laranja). O Marguerite, em seguida, fica mais seco e, no livro de 1904 Stuart's Fancy Drinks, torna-se 2/3 Plymouth gin (um gin seco) para 1/3 de vermute francês

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Receita de Marguerite Cocktail no Harry Johnson's Bartenders' Manual, 1900

E, o Fancy Gin Cocktail da década de 1850, pode ser considerado um precursor do Martinez e do Marguerite. Ele também leva genever ou gin old tom, combinado com curaçau laranja e goma, com bitter e casca de limão para equilibrar.

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Fancy Gin Cocktail - Jerry Thomas' The bar-tenders-guide, 1862

O Martini torna-se progressivamente cada vez mais seco. Lembre-se, o Martini, assim como o Martinez e/ou o Marguerite que foram sua origem, era inicialmente doce, daí a necessidade de distinguir o seu descendente como um Martini "seco" ( Dry Martini), ainda muito pesado no vermute pelos padrões modernos.

O "Dry Martini" provavelmente apareceu com o surgimento do estilo de gin London Dry e foi ajudado pela Martini & Rossi, que publicou anúncios de jornal nos EUA no final do século XIX e início do século XX para o seu recentemente lançado vermute Martini seco com o título "Não é um Martini a menos que você use Martini".

A primeira sugestão escrita do movimento de Martini para secar em um livro de coquetel é encontrada em Bartenders Encyclopedia, de Tim Daly, em 1903, onde a receita para uma "Garrafa de Martini Cocktail", pede 2/3 de garrafa de gin old tom e 1/3 de garrafa de vermute seco. E também afirma: "Este deve ser um coquetel muito seco."

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Receita para coquetel Martini engarrafado no Daly's Bartenders Encyclopedia, 1903

Mas a referência de Daly em 1903 era um ingrediente e uma mera declaração de como a bebida deveria provar. Um ano mais tarde, a primeira receita escrita conhecida para uma bebida realmente intitulada "Dry Martini Cocktail" aparece em um livro francês de 1904 American-Bar Recettes des Boissons Anglaises et Américaine. Escrito por Frank P Newman, um bartender no Ritz em Paris, a receita traduz-se amplamente como "em um copo de mistura (ilustrado como copo No.1), adicione alguns pedaços de gelo e 3 gotas de angostura ou bitters laranja. Finalize com quantidades iguais de gin e vermute seco, mexer, coar no copo n ° 5 (ilustrado como um copo de 70cl de haste). Servir com um toque de limão, uma cereja ou uma azeitona, de acordo com a preferência do consumidor".

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American-Bar Recettes des Boissons Anglaises et Américaine, 1904

Ainda em 1904 (talvez até antes de Newman), em seu Applegreen's Bar Book, John Applegreen define a receita de um "Martini Cocktail" baseado em old tom gin e inclui "1 traço de xarope". Além disso, fala do "Martini Cocktail, Dry", que leva "o mesmo acima, só que sem xarope".

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Martini Cocktail - Applegreen's Bar Book, 1904.

O interessante é que o Applegreen's Bar Book também inclui uma receita de "Crisp Cocktail, que é basicamente um "Fifty-Fifty Dry Martini" com Plymouth gin (seco) e vermute (seco) francês.

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Crisp Cocktail - Applegreen's Bar Book, 1904

E, abaixo disso, Applegreen também inclui um coquetel chamado "Olivette", nada mais que outra variação de Martini, com uma receita que chama atenção para a adição de Bitters Peychaud's, e por ser servido com uma azeitona.

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Olivette Cocktail - Applegreen's Bar Book, 1904.

Eu diria que o "Martini Cocktail de Applegreen, em 1904, é a primeira receita intitulada Dry Martini no idioma inglês. Mas, se você faz questão do "Dry" na frente do "Martini", isso aparece dois anos mais tarde, em Louis' Mixed Drinks por Louis Muckensturm, um bartender europeu que trabalhava em Boston, EUA. Este Martini seco, como o Martinez, beneficiou-se de curaçao e bitters, bem como vermute. No entanto, ao contrário de versões anteriores, tanto o gin como o vermouth são declarados como sendo secos. De acordo com o historiador de bebidas, Gary "gaz" Regan, os comerciantes do vermute Martini & Rosso estavam anunciando pesadamente um coquetel Dry Martini naquela época.

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Louis' Mixed Drinks, 1906.

Assim, o final do século XIX e a virada do século XX viram o Dry Martini emergir e dominar seus antecessores, como o Martinez e o Marguerite, e tornar-se progressivamente mais seco ao longo das décadas. Curaçao rapidamente deixou a receita, mas bitters de laranja permaneceu como um ingrediente habitual, até a década de 40. Curiosamente, ambos voltaram à moda nos anos mais recentes,graças à paixão dos bartenders por bitters e, em muitos bares, mais uma vez, é uma adição padrão para um Dry Martini. (Digite aqui os seus argumentos de que o uso excessivo está mascarando as sutilezas delicadas do destilado da base).

Vodka Martini, Vodkatini ou Kangaroo

As primeiras décadas do século XX viram o surgimento gradual da vodka nos EUA e como o gin é muitas vezes descrito como sendo uma vodka com sabor, então ela inevitavelmente encontrou seu caminho para o cada vez mais seco Martini.

De acordo com o historiador de coquetéis David Wondrich, o primeiro coquetel de vodka registrado nos Estados Unidos vem de New Hampshire, onde em 1905 um bartender misturou alguns drinks para uma delegação russa visitante. Em 1911, o Russian Cocktail, composto por três quintos de vodka e dois quintos Ruihinoy (um cordial de cereal russo feito de sementes de cereja), frappe e coado, estava no menu do St Charles Hotel, em Nova Orleans. Pulamos para 1938 e tal foi a popularidade da vodka na América pós-Lei Seca, que o Russian Tea Room de Nova York criou um cardápio de coquetéis exclusivamente de vodka.

A referência mais antiga a um Vodka Martini aparece no livro de 1951, escrito por Ted Saucier, Bottoms Up. Mas foi James Bond, personagem de Ian Fleming, que tornou famoso o Vodka Martini "batido e não mexido". O uso de vodka explodiu nos anos 80 e 90 e a tornou o destilado preferido para muitos - talvez a maioria - em seu Martini.

Vodkatini / Vodka Dry Martini.
Vesper - favorito de James Bond, "shaken not stirred"
Bearskin Martini - Vodkatini com toque de Kümmel.
Dry Ice Martini - Vodkatini com Canadian icewine.
Dutch Martini - Vodkatini com jenever e orange curaçao.
Kangaroo Dry Martini - David Embury deue ste nome ao vodka martini no seu The Fine Art of Mixing Drinks.
Flame of Love Martini - vodka e jerez fino, dizem que era o favorito de Dean Martin.
Z Martini vinho do porto Tawny substitui a vodka
Voyager Martini - vodkatini com sake e pisco.

Martinis perfumados

Nos anos 20 e 30 era comum adicionar licores e outros tipos de vinhos aromatizados à receita clássica de Martini com gin e vermute. O hábito continua até hoje. Alguns exemplos:

Abbey Martini - martini dos anos 30 parecido com o Bronx
Alberto Martini W.J. Tarling's 1937 Café Royal Cocktail Book jerez fino e triple sec, creditado a A.J. Smith.
Alfonso Martini - Adaptado de receita de Victor Bergeron de 1972 em Trader Vic's Bartender's Guide
Army Martini - gin, sweet vermouth e grenadine.
Arnaud Martini homenagem a Yvonne Arnaud, atriz dos anos 30
Bartender's Martini - gin, dry vermouth, jerez fino, Dubonnet Red and Grand Marnier.
Chocolate Martini
Elk Martini - do livro de Harry Craddock (1930) The Savoy Cocktail Book
Francophile Martini - French Martini com gin e dry vermouth.
Fresh Martini - Martini digestivo
Gingerbread Martini
Greek Martini - com mastiha e ouzo.
Jupiter Martini - da década de 20, com parfait amour e suco de laranja
Left Bank Martini - com vinho branco e licor elderflower
Marsala Martini - criado por Tony Conigliaro
Martini Special - do livro de Harry Craddock (1930) The Savoy Cocktail Book leva absinto e curaçao
Moonshine Martini - mais um do The Savoy Cocktail Book.
Orange Bloom Martini - outro do The Savoy Cocktail Book.
Peto Martini - Perfect Martini com licor maraschino
Piccadilly Martini - mais uma receita do The Savoy Cocktail Book
Roselyn Martini - dry martini com grenadine.
Sakura Martini - criado em 2015 por Kenta Goto, com sake
Sake Martini - gin dry martini com sake.
So-So Martini - Martini da década de 20 com calvados
Valencia Martini - também conhecido como Spanish Martini, leva jerez no lugar de vermute

Neo Martinis / Altern'atinis / Millennium Martinis

Neo Martinis, Altern'atinis e Millennium Martinis são termos que descrevem um coquetel servido "straigh-up" em um copo em forma de V, na maioria das vezes também baseado em vodka ou gin. Embora eles carreguem o nome "Martini", estes não são realmente um "Martini", pois este é predominantemente gin (ou vodka) e vermute, com qualquer outro ingrediente sendo usado para adicionar uma pitada de sabor. Poucos desses martinis impostores levam vermute e, até mesmo naqueles que o fazem, o seu perfil de sabor não centra em torno do destilado e vermute.

Populares tanto na Inglaterra (particularmente em Londres) quanto nos EUA (especialmente em Nova York), durante os anos 90 e início dos anos 2000, esses coquetéis permitiram que os novos bebedores pedissem uma bebida que soasse tão descolada como se fossem James Bond, mas o quê recebiam estava mais para um leve coquetel frutado do que um drink forte com destilado.

Estritamente falando, para ser um bom Martini, um coquetel deve conter gin e vermute e, na maioria dos exemplos a seguir, falta um ou o outro ingrediente. Dito isto, não existe polícia ou leis para controlar o martini e alguns dos mais famosos bartenders do mundo chamam estes drinks de Martinis:

Almond Martini com amaretto
Bikini Martini - criado em 1999 por Dick Bradsell
Breakfast Martini - criado em 1996 por Salvatore Calabrese
English Martini - com licor elderflower e alecrim
Espressso Martini - clássico contemporâneo de Dick Bradsell
French Martini - criado no final dos 80s, virou um clássico contemporâneo
Polish Martini - criado por Dick Bradsell
Sour Apple Martini - extremamente popular nos EUA nos anos 90.
Wasabi Martini
Z Martini - vinho do porto no lugar do vermute

Martinis com frutas frescas

Estes Neo Martinis / Altern'atinis frutados surgiram e se tornaram muito populares em Londres durante a década de 90. No máximo são coquetéis de vodka com base de suco de frutas frescas ou suco de vegetais, com uma pitada de xarope de açúcar. Com frutas frescas e o equilíbrio certo de açúcar, estes podem ser coquetéis muito saborosos e irão agradar a muitos. É apenas o uso do nome "Martini" que poderá ofender algumas pessoas.

Apple Martini - não confundir com o Sour Apple Martini acima
Kee-Wee Martini com vodka e pepino
Melon Martini - vodka e melão cantaloupe
Pineapple & Cardamon Martini - criado em 2002 por Henry Besant
Pornstar Martini - criado por Douglas Ankrah no Townhouse, em Knightsbridge, em 2002. Ganhando popularidade novamente
Watermelon Martini - vodka e melancia

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