French 75 - receitas e história

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O French 75 celebra o poder de fogo de um canhão francês de 75 milímetros da Primeira Guerra Mundial. Nas últimas décadas, ele se tornou um potente coquetel de champanhe à base de gin com suco de limão e açúcar, servido em flute. Mas, originalmente, consistia em gin, brandy de maçã, grenadine e suco de limão, servido em um copo de coquetel. É um dos drinks mais conhecidos do mundo, mas foi envolto em desinformação.

Inspiração por trás do nome

Este nobre coquetel foi batizado em homenagem ao canhão de 75 milímetros que, devido à sua portabilidade e capacidade de tiro, foi o pilar do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918). Capaz de disparar 15 rodadas por minuto, o French 75 era um formidável em todos os sentidos, desde antiaéreo até anti-tanque. Foram produzidos incríveis 21.000 unidades e 200 milhões de projéteis foram feitos e usados durante a guerra.

Os coquetéis são muitas vezes batizados homenageando pessoas e eventos. Nos primeiros anos do século XX, o "Canon de 75 modèle 1897", mais conhecido como Soixante-Quinze (Setenta e cinco) foi uma arma muito presente nas notícias, como um símbolo de esperança na batalha contra a Alemanha. William Philip Simms, repórter americano sediado em Paris, em março de 1915, escreveu: "Se a França vencer a guerra atual, seu sucesso será devido, mais do que qualquer outra coisa, ao seu canhão de 75 milímetros Soixante-quinze, de tiro rápido e explosivo".

Não é surpresa um bartender francês, provavelmente Henry Tépé do Henry's Bar, em Paris, ter batizado um coquetel de "Soixante-Quinze" (setenta e cinco), em 1914/15 ou até mais cedo. Frases que comparam a potência letal da bebida com a arma, como "ambos vão te nocautear", abundam. O romancista britânico Alec Waugh o apelidou de "o drink mais poderoso do mundo", enquanto Harry Craddock acrescentou "bate com notável precisão" à sua receita no The Savoy Cocktail Book.

O drink nasceu como "Soixante-Quinze", tornou-se "75" Cocktail e, posteriormente, "French 75". Em seguida, temos uma linha do tempo mostrando sua evolução. Mas antes, as receitas.

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Receitas

A receita foi mudando junto com as alterações no nome. Durante um tempo, duas versões diferentes de French 75 eram servidas em bares de Paris a Nova York. Algumas vezes até apareciam lado a lado em um livro de coquetelaria. A única coisa em comum entre as 4 versões vintage do French 75 é que todas levam gin. Clique no nome para ver cada receita:

Soixante-Quinze (de 1915, publicada no Washington Herald)
Com: London dry gin, applejack bonded, grenadine e suco de limão siciliano

"75" Cocktail (receita de 1922 de Vermeire)
With: London dry gin, calvados, suco de limão siciliano e grenadine.

"75" Cocktail (por MacElhone, em 1926)
Com: calvados, London dry gin, grenadine e absinto.

French 75 (receita de Judge Jr de 1927)
Com: suco de limão siciliano, açúcar, London dry gin e champanhe.

French 75 (versão ano 80/90)
Com: suco de limão siciliano, açúcar, London dry gin e champanhe.

Mais receitas - versões e variações

French 75 (receita Difford)
Com: suco de limão siciliano, açúcar, old tom gin, calvados, conhaque, grenadine, absinto e champanhe.

French 95 - um French 75 com bourbon (receita de Jones, em 1977)
Com: suco de limão siciliano, açúcar, bourbon e champanhe.

French 125 - um French 75 com conhaque (por Jones, em 1977)
Com: suco de limão siciliano, açúcar, conhaque e champanhe.

French 125 - receita moderna de French 75 com conhaque servido em flute
Com: suco de limão siciliano, açúcar, conhaque e champanhe.

Mexican 55 (de 1988, por La Perla)
Com: tequila, suco de limão siciliano, xarope de açúcar, Angostura Bitters e champanhe.

French 76 (receita dos anos 90)
Com: vodka, suco de limão siciliano, xarope de açúcar, Angostura Bitters e champanhe.

French 77 (receita Difford de 2006)
Com: licor Elderflower, suco de limão siciliano e champanhe.

O copo

Mesmo o copo em que o French 75 é servido mudou ao longo das décadas. A primeira versão com o nome do canhão foi servida em um copo de coquetel (cupê), mudou para um Collins durante o final da década de 20. No início dos anos 30, o copo permaneceu até a moda dos coquetéis de champanhe. De fato, o champanhe ser servido em flutes surgiu na década de 1980.

Alguns bartenders, especialmente Colin Field do Bar Hemingway em Paris, estão novamente servindo French 75 em copos Collins cheios de gelo. Eles dizem que o formato do copo lembram o formato do projétil do canhão. Colin inclusive mantém um cartucho original em seu bar, para mostrar aos convidados que pedem o coquetel.

Linha do tempo histórica

Há muita confusão em torno das origens do French 75 e, assim como tantos coquetéis clássicos, ninguém sabe realmente quem fez o primeiro e o batizou em homenagem ao canhão de 75mm. No entanto, com a ajuda da imensa coleção de receitas e informações compiladas em everythinginthebar.blogspot.co.uk, eu consegui chegar na seguinte linha do tempo:

1915 - A primeira referência escrita a um Soixante-Quinze (Setenta e Cinco) no The Washington Herald estabelece a receita original como: "um terço de gin, um terço grenadine, um terço de applejack e um pingo de suco de limão siciliano".

A frase "o coquetel Soixante-Quinze foi trazido à Broadway do front, pelo correspondente de guerra E. Alexander Powell" sugere que o coquetel originou-se na frente de batalha da Primeira Guerra Mundial e foi então exportado para a América. Isso também pode ter contribuído para a lenda de que o coquetel foi misturado pela primeira vez com ingredientes capturados e bebido em cartuchos usados do canhão.

A frase "Frank León Smith, historiador, diz que assim que bebeu um, imediatamente pagou seu aluguel" criou a reputação do coquetel ser tão mortal como o canhão homenageado no nome.

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The Washington Herald 1915

1916 - A segunda referência escrita está na edição de 27 de novembro de 1916 de The Sphere, um jornal ilustrado publicado em Londres. Um artigo intitulado "Paris In War Time: A Impression of 1916" contém o seguinte: O coquetel inventado pelo bartender do American bar do Ciro's chamado" Soixante-Quinze", uma mistura agradável de brandy de maçã Calvados e outros ingredientes misteriosos.

The Sphere cria a primeira conexão entre Harry MacElhone e o Soixante-Quinze. Até onde eu sei, seu primeiro emprego como bartender foi na 5 Rue Daunou, Paris, endereço que ele mais tarde adquiriu e rebatizou como Harry's New York Bar. Ele foi de lá para o Ciro's Club de Londres, onde eu presumo que ele estava trabalhando durante 1916, quando este artigo foi publicado? Sabemos que ele se foi para a América trabalhar em dois bares, antes de lutar na Royal Air Force, durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, a guerra terminou em 11 de novembro de 1918, então ele teria rodado bastante durante os dois anos entre o artigo do The Sphere e o fim da guerra.

Depois da guerra, ele trabalhou no Ciro's Club de Londres, talvez voltando lá depois de já ter trabalhado antes da guerra? Foi durante a década de 20, enquanto trabalhava no Ciro's, que Harry publicou seu primeiro "ABC cocktail book". Ele abriu um segundo Ciro's em Deauville, França, antes de retornar a 5 Rue Daunou como dono, em 8 de fevereiro de 1923.

Esta evidência sugere que Harry MacElhone criou o Soixante-Quinze (French 75) e que ele poderia ter feito isso enquanto trabalhava em 5 Rue Daunou, Paris. Mas esse drink era uma "mistura agradável de brandy de maçã de Calvados e outros ingredientes misteriosos" e não o French 75 que conhecemos hoje. Naqueles dias, o estabelecimento da 5 Rue Daunou não chamava-se ainda Harry's New York Bar.

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Jornal The Sphere de 27 de Novembro de 1916

1922 - A primeira referência escrita em um livro de coquetelaria aparece em Cocktails- How to Mix It de Robert Vermeire, que apresenta a receita como "2 dashes de Grenadine, 1 colher de chá de suco de limão siciliano, 1/6 gill de Calvados, 2/6 gill de Dry Gin. Bater bem e coar para um copo de coquetel." Curiosamente, Vermeire chama a receita de "75" Cocktail em vez de Soixante-Quinze.

Vermeire continua a acrescentar rastro de evidências sobre a identidade do criador do coquetel: "Este coquetel era muito apreciado em Paris durante a guerra. Foi batizado em homenagem ao famoso canhão francês leve e foi introduzido por Henry, do famoso Henry's Bar." Muitos erroneamente leram Henry como Harry e assumiram que Vermeire está confirmando a referência de Harry MacElhone, de 1916. Mas Vermeire disse Henry do Henry's Bar e não Harry do Harry's Bar.

Vermeire na verdade refere-se a Henry Tépé, do Henry's Bar da 11 Rue Volney, Paris (atualmente Hôtel Volney Opéra). Este bar fica a 2 minutos a pé do Harry's Bar, na 5 Rue Daunou. Colin Field sugere, e eu estou inclinado a concordar, que Henry Tépé criou o drink em seu bar, onde foi descoberto por Harry MacElhone, que o levou a Londres. Importante notar que MacElhone nunca afirmou em seus livros ter criado o Soixante-Quinze, o Seventy-Five ou mesmo um French 75.

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Cocktails- How to Mix It de 1922

1926 - Primeira aparição em um livro de Harry MacElhone foi na 4a. edição de Harry's ABC of Mixing Cocktails, com o título de "75" Cocktail e a receita: "1 colher de chá de Grenadine, 2 dashes de Absinto ou Anis-del-Oso, 2/3 Calvados e 1/3 Gin. Bater bem e coar para um copo de coquetel." Ele confirma a afirmação de Vermeire: "Este coquetel era muito popular na França durante a guerra e foi batizado em homenagem a um canhão leve francês." Vale notar como a receita mudou: MacElhone substituiu o suco de limão siciliano por absinto ou anis.

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Harry's ABC of Mixing Cocktails de 1926

1927 - Primeira aparição escrita do French 75 com os ingredientes mais populares atualmente: gin "Gordon water", suco de limão siciliano, açúcar e champanhe aparece em Here's How (2a.edição) por Judge Jr. Chama a atenção essa versão ser servida em um Collins e não um Highball. Isso é confirmado pela anotação que acompanha a receita: "se você usar club soda em vez de champanhe, será um Tom Collins".

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Here's How (2a.edição) 1927

1929 - O Soixante-Quinze é rebatizado de The Tunney. Um drink com esse nome e que parece muito com um Soixante-Quinze está na quarta edição de Here's How by Judge Jr.

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Here's How (4a. edição) 1929

1930 - Harry Craddock incluiu o French 75 em seu The Savoy Cocktail Book com a seguinte receita: "Servir em copo alto com gelo moído e completar com champanhe." Não está claro se o "copo alto" é um Highball (8-10oz) ou um Collins largo (12oz). Independentemente disso, o French 75 de Craddock é um drink servido com gelo no copo.

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The Savoy Cocktail Book de 1930

1934 - A primeira vez que os dois estilos de French 75 são listados em um mesmo livro de coquetelaria. Também a primeira vez que a versão com gin, limão e champanhe é servida em um copo que não seja alto. Em seu Cocktail Bill Boothby's World Drinks and How to Mix, William Boothby também especifica um "goblet gelado". A menção a um copo gelado sugere que o coquetel deve ser servido straight-up e não com gelo.

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Cocktail Bill Boothby's World Drinks and How to Mix de 1934

1948 - A primeira referência escrita a um French 75 feito com conhaque em vez de gin aparece no livro de 1948 de David Embury, The Fine Art of Mixing Drinks. Embury afirma: "Gin é algumas vezes usado no lugar de conhaque, mas daí, obviamente, não pode mais ser chamado de French (francês)." Embury claramente especifica que o drink deve ser servido em "copo Collins", mas, ao contrário das versões anteriores, ele diz que o coquetel deve ser batido com gelo moído "para resfriar e diluir"e então servido em um copo e completado com champanhe.

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The Fine Art of Mixing Drinks de 1948

1977 - A primeira referência conhecida onde diferentes números no nome denotam o destilado utilizado como base. Em seu Jones' Complete Barguide, Stanley M. Jones lista um "French 75" feito com gin, um "French 95" feito com bourbon e um "French 125" feito com brandy. Todos os três devem ser servidos em "copo alto" com gelo.

A versão com brandy (ou conhaque), o French 125, também homenageia no nome um canhão, montado em um tanque: Soviet 2A46 125mm. O French 75 é amplamente associado ao bar de mesmo nome Arnaud's French 75, em New Orleans, onde ele é feito com conhaque e não gin, para honrar a origem francesa do coquetel. Por influência desse bar, combinada com a de escritores norte-americanos, desde David Embury até Dale DeGroff, muitos outros American bars também fazem seu French 75 com conhaque. Todavia, talvez eles devessem chamar seu coquetel de "French 125", não 75. Isto posto, também encontrei referências a um "French 74" com vodka e um "French 90" com conhaque.

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Jones' Complete Barguide de 1977

Final dos anos 80-90 - A moda de servir champanhe em taça flute impacta o French 75. Ainda não consegui encontrar exatamente a primeira referência a um French 75 servido em "champagne flute" em vez de um copo Collins. Mas, na época em que comecei a escrever sobre coquetéis, em meados dos anos 90, este tipo de serviço já estava bem consolidado. Mas fique atento, pois eu continuo pesquisando em livros do final dos anos 80.

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American Bar - The Artistry Of Mixing Drinks por Charles Schumann de maio 1995

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