A história do Punch (Ponche)

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Punch é amplamente considerado o primeiro coquetel, aquele de onde todos os outros derivaram. Um grande punch possui equilíbrio entre o destilado, cítrico, dulçor, tempero e a diluição, mas a sua criação veio por acaso.

É impossível contar a história do punch sem citar o excelente livro de David Wondrich, Punch, que é uma verdadeira autoridade no assunto. As referências a seguir são do livro de David, mas também de outros especialistas no assunto, além dele próprio, reunidas em volta de um "punch bowl" de Banks Rum. Para saber mais sobre essa divertida sessão, leia nosso artigo Punch - dicas de como preparar e servir.

Origens do nome punch

A crença popular diz que o nome "punch" é originário da palavra hindi para "cinco", uma referência ao número tradicional de ingredientes: azedo (limão ou limão siciliano), açúcar, destilado (rum, conhaque ou arrack), água e especiarias (noz-moscada).

Segundo David Wondrich, "um cara disse que vem da palavra indiana para "cinco", porque tinha cinco ingredientes. Infelizmente, esse cara ficou na Índia por pouco tempo e isso foi um palpite. Ele nunca falou com nenhum indiano sobre isso e o punch tem seis ingredientes, tem quatro ingredientes, tem um monte de ingredientes diferentes. Por isso, fico menos confiante com essa opinião do que outras pessoas e porque também pode significa algo curto e forte, como eu e os barris que todos usam pra armazenar o drink. Eles usam meio barril, que era como uma "punch barrel", que se transformou em um punch. Punch foi a descrição do recipiente e é assim que você o serviria, então eu suspeito que veio mais do barril do que da palavra indiana, mas isso é o meu palpite".

A teoria de David refere-se a um tipo de tonel pequeno e bojudo, com capacidade para 500, conhecido como Punchon até hoje. E, realmente, os Punchons são bem populares na indústria de rum.

Mas David ainda diz que "Quem sabe. A maioria das pessoas que beberam os primeiros punches eram marujos, quase sempre analfabetos."

O primeiro punch

Não se sabe onde, quando ou quem fez o primeiro punch, mas mesmo David Wondrich, o mais especialista dos EUA no assunto, concorda que provavelmente foi um britânico.

A primeira referência escrita conhecida aparece em uma carta enviada em 28 de setembro de 1632 por Robert Addams, que estava estacionado na Índia e trabalhava para a British East India Company. Escrevendo para um colega sobre as respectivas acomodações e companhia, ele diz: "Espero que você mantenha a casa em ordem e beber punch não é permitido". [Punch de David Wondrich, página 22]

A primeira receita registrada data de 1638, quando Johan Albert de Mandelslo, gerente alemão de uma fábrica em Surat, na Índia, escreveu que os trabalhadores fabricavam "uma espécie de bebida composta de aqua vitae, água de rosas, suco cítrico e açúcar".

Os destilados não eram os produtos refinados que desfrutamos hoje e a "nova" e barata dose diária de rum, cortesia dos interesses coloniais da Grã-Bretanha, tendiam a ser coisas bem potentes. O punch surgiu como uma forma de suavizar rum.

Wondrich: "Punch começou graças aos comerciantes britânicos no leste da Índia, até onde sabemos. Os registros são bastante fracos sobre esse tipo de coisa, mas os marinheiros ingleses ficaram sem cerveja e acabaram com o vinho. Você não pode ter um barco cheio de ingleses e não ter nada para beber. Então, algum teve a brilhante ideia: e se fizéssemos vinho artificial a partir de destilados? Quando chegaram à Ásia Oriental e sul da Ásia, todos bebiam destilados, que eram amplamente disponíveis: Batavia arrack na Indonésia e Arrack de coco na Índia. Alguém disse que sim, vamos pegar isso e vamos fazer virar vinho novamente, mas como faremos isso? Você coloca a acidez de volta no destilado, então você usa suco de limão; tem que adoçar para equilibrar - eles gostavam de vinhos doces naquela época - e acho que, o mais importante, você precisa diluir novamente, por isso coloca a água. O resultado é algo com a potência alcoólica do vinho. Você pode fazer este vinho artificial com coisas que estão à mão, que estão sempre disponíveis ou o que está disponível em cada local e fica delicioso. Isso começou no início dos anos 1600 com esses comerciantes britânicos".

Marinheiros britânicos levam o punch para Londres

Punch ajudou os marinheiros a sobreviver às longas viagens, devido ao cítrico que os protegia do escorbuto. Quando eles voltaram para Londres, devido excesso de provisões que era comum, eles trouxeram alguns arrack das Índias Orientais e outros ingredientes de punch com eles. Tornou-se moda visitar as docas e beber uma taça de punch com os marinheiros. Os investidores visitaram os navios que haviam financiado com seus amigos e se sentaram a bordo, desfrutando desta nova bebida comunitária.

Em meados do século XVII, após a Restauração, um punch feito com arrack das Índias Orientais, e mais tarde rum das Índias Ocidentais, tornou-se a bebida social da moda nos cafés londrinos. E como Wondrich diz: "com toda aquela cafeína, você precisa de algo para relaxar um pouco". Para os proprietários dos cafés, o punch era muito atraente, pois não era tributável, já que, como uma novidade, ainda estava fora do sistema de tributação.

A partir de então, o punch manteve-se como a bebida dos aristocratas ingleses por centenas de anos. Os destilados, o chá, o açúcar, os cítricos e a noz-moscada utilizados eram ingredientes caros: somente os limões custavam o equivalente a oito dólares cada. Na década de 1690, 1/4 de uma tigela de punch custava metade do salário mínimo da semana. As Punch bowls (tigelas) começaram a se tornar um acessório para adquirir e exibir. Há relatos de pessoas imensamente ricas que gastaram fortunas encomendando tigelas suficientemente grandes para que três crianças pudessem brincar dentro.

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Rum & punch

O Rum tornou-se a escolha mais popular tanto para a aristocracia da Inglaterra, quanto para os marinheiros. Assim que a Inglaterra colonizou nações produtoras de açúcar, a Marinha Real foi rápida e trocou a ração diária de um galão de cerveja ou um pint de vinho, por meio litro de rum jamaicano. Não só esta porção menor ocupava muito menos espaço a bordo, mas também não prejudicava as longas jornadas. À medida que o rum estava sendo produzido ao longo dos novos territórios da Inglaterra, desde a Nova Inglaterra, na América, até as ilhas Maurício, ao largo da costa da África, ele rapidamente chegava a Londres e era mais fácil comprar do que o conhaque francês, devido às constantes guerras entre Inglaterra contra a França e a Espanha. Quando os navios voltavam do Caribe, conta William Dampier em seu livro de 1697 A New Voyage Around the World, eles estavam "sempre bem armazenados com rum, açúcar e suco de limão para fazer punches, como meio de animar seus homens quando estão no trabalho".

Nas regiões tropicais, como Jeff Berry escreve na introdução de seu Potions of the Caribbean, "Rum misturado com açúcar e limão fazia a vida curta e dura de um soldado caribenho valer a pena." Apesar de filmes como Piratas do Caribe retratarem homens durões matando garrafas de rum no gargalo, tais rufiões dos séculos XVII e XVIII preferiam mesmo uma tigela de ponche de rum. Há inúmeras histórias de marinheiros mercantes sendo atraídos com ponches apenas para se encontrar cercados por piratas. Na verdade, foi o infame capitão Kidd que negociou um contrato de corsário bebendo um ponche de rum com o então comandante-em-chefe das forças do Caribe da Inglaterra.

Richard Zacks , em seu livro The Pirate Hunter diz que o punch que foi bebido nesse encontro ainda pode ser bebido hoje em dia, graças ao testemunho de uma pessoa presente no encontro de 1688: ele supostamente foi feito com "rum, água, suco de limão, gema de ovo, açúcar com uma pitada de noz-moscada por cima."

Punch & os Founding Fathers dos EUA

As tradições em torno de uma tigela de ponche estão mergulhadas na história e diz-se que os Founding Fathers e seus amigos tomaram 76 tigelas na celebração após a assinatura da Declaração de Independência dos EUA. O Meeting House Punch é uma receita desta época, 1789, apenas 13 anos após a Declaração de Independência, destinada à toda a cidade de Medfield, Massachussetts. De acordo com Jeff Berry, levava "4 barris de cerveja, 25 galões de rum da Índia Ocidental, 30 litros de rum da Nova Inglaterra, 15 quilos de açúcar, 11 quilos de açúcar mascavo e 465 limões".

Punch sai de moda

Infelizmente, os tempos mudaram e, à medida que a era vitoriana inaugurou um novo estilo de beber menos e por períodos mais curtos. Assim, as tigelas foram deixadas de lado. Em uma revista chamada Household Words, Charles Dickens publicou um artigo chamado A Bowl of Punch, lamentando o fato de que as tigelas que antes eram onipresentes em bares, agora estavam empilhadas e esquecidas em algum canto, juntado pó.

O punch também foi vítima do ritmo no qual começamos a viver nossas vidas. Sentar-se em bares sorvendo de uma enorme tigela por períodos prolongados tornou-se um luxo demasiado. À medida que o todo mundo tornava-se mais ocupado, o consumo lento e sem limites virou uma coisa do passado. De fato, na época em que o pai da coquetelaria, Jerry Thomas escreveu seu guia, os punches já eram coisa do passado. Wondrich afirma que "apesar de Thomas incluir várias receitas em seu livro, elas provavelmente foram uma exigência dos editores, pois já estavam de fato obsoletas."

O renascer do punch

Agora, 20 anos depois do início da segunda grande era da coquetelaria, o punch é mais uma vez moda e uma nova geração de bebedores mais exigentes está descobrindo as delícias da tigela.

Agora é comum que o punch seja servido nos principais bares do mundo. Por exemplo, no famoso The Dead Rabbit, de Nova York, o punch é servido gratuitamente como welcome drink para todos os convidados. Outro premiado bar, esse em Londres, o Punch Room vende apenas punch, o que o torna possivelmente o primeiro punch bar do mundo desde meados do século XIX.

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