Bartenders em Casa - Leandra Cristina

Escrito por Leandra Cristina

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Meu nome é Leandra, tenho 21 anos. Sou natural de Recife – Pernambuco, mas resido em Jaboatão dos Guararapes, cidade vizinha.
Comecei no Bar aos 19, por acaso. Iniciei como barback e meses depois já estava comandando o bar. Fazia também a função de garçonete, abertura e fechamento de Caixa!
Acabei tomando gosto pelo bar, mas não tinha qualificação na área e foi aí que resolvi fazer um Curso de Bartender em Recife. Até então, eu só conhecia a clássica Caipirinha e a Caipiroska; depois do curso minha mente se expandiu para as infinitas possibilidades dentro do mundo dos destilados. Fiquei fascinada. Preciso ressaltar que nunca tive casa fixa: venho trabalhando como Freelancer na função de bartender há 2 anos. Não por escolha minha: infelizmente, a coquetelaria em Recife a predominância e exigência ainda é de homens.

Antes de mais nada, quero agradecer ao COLETIVO ADA COLEMAN, que me indicou e está contribuindo com valor significativo de um salário para mulheres bartenders prejudicadas nessa pandemia.
Obrigada a quem colaborou para que isso acontecesse!
Marcas, Empresas, pessoas físicas, obrigada!

O BAR É PARA QUEM?

HOSPITALIDADE
Do latim hospitalitas.atis. Substantivo feminino. Característica da pessoa hospitaleira; qualidade do lugar em que há boa acolhida. Ação ou efeito de hospedar; hospedagem. Sinônimo de acolhimento, hospedagem. Antônimo de Inospitalidade.

HOSPITALIDADE X FELICIDADE
A hospitalidade está ligada ao ser humano. Pode vir da origem, da herança cultural, do espírito. É fazer algo melhor para o outro. Não se treina, se educa no sentido de uma compreensão mais humana sobre o tema. Daí a importância da valorização do ser humano no local de trabalho, pois ocasiona a motivação, que proporciona a felicidade. O prazer de exercer, sim, o papel remunerado do ato de receber, mas em que o entendimento da hospitalidade esteja ligado à felicidade dos seres. A felicidade é um estado de espírito que facilita “aberturas” no ser humano, que proporciona trocas humanas, ou seja, pode desencadear a hospitalidade nata. Principalmente quando ela for entendida neste sentido.

ERA UMA VEZ...
Era uma vez um grupo de amigos que como qualquer outro nas ruas do Recife Antigo em uma sexta à noite buscavam se divertir. Dessa vez, foram até o bar; ao chegar lá dirigiram-se para o balcão pedir informação à bartender sobre o quê havia ali. Mas algo os impedia de conseguir a informação. O grupo de amigos eram surdos! - possuíam deficiência auditiva. Essa história não é fictícia, essa história é minha, ou melhor, deles.
Mas o que isso tem a ver com Hospitalidade, Léa?
Hospitalidade é o ato de hospedar, ou seja, receber e cuidar de alguém que pertença a um ambiente diferente do anfitrião (pessoa que concede hospedagem). Então tem tudo a ver!

Aconteceu comigo em 2018, no primeiro bar que eu passei. Lembro que isso me incomodou muito e me incomoda até hoje. Acabei gravando na memória. Esperando um momento proveitoso para iniciar essa discussão, onde eu teria ouvintes.

Ali, eu atendi um grupo de cinco amigos com deficiência auditiva; eram rapazes e garotas que queriam uma informação. Mas eu não os compreendia. Não tinha um curso básico ou formação em Libras.
Lembro que aquilo me chocou, fiquei desanimada e entristecida em não ter como ajudar o grupo. Chamou minha atenção para a negligência que a comunidade de deficientes auditivos sofre. Vale ressaltar, para os leigos, que o que os impedia de conseguir a informação não era as suas deficiências, características que não podem ser alteradas, mas o descaso da sociedade com os deficientes auditivos.

HOSPITALIDADE X RÓTULOS
As pessoas são antes de qualquer “rotulação” seres humanos. Por trás de qualquer profissional, existe o “ser”, a “alma”, ou seja, não se pode separar ao todo as relações. Por mais profissionais e mercantis que possam ser, o diferencial humano sempre será uma característica essencial na troca de indivíduos.
Aos donos de Bares e Restaurantes, que não me levem à mal, mas depois dessa pandemia a gente não precisa e não deve voltar a ser como éramos antes.
Negligenciar e fingir que uma minoria não consome, não bebe, é perder dinheiro e humanamente cruel.

HOSPITALIDADE X INDÚSTRIA
Às vezes denominada “indústria” da hospitalidade, que ora se transforma em produto, ora se caracteriza como serviço, ora se refere à interação satisfatória entre a cidade e as pessoas que nela se movimentam, ora se refere à segurança, ao conforto fisiológico e psíquico do hóspede, ou às estruturas físicas ou culturais. De qualquer forma, a hospitalidade acarreta a realização de trocas de bens e serviços materiais ou simbólicos entre o receptor e o acolhido, ou entre o anfitrião e o hóspede.

ESPERO PLANTAR UMA SEMENTE
Senhoras e senhores, profissionais de bar e restaurante, gerentes e donos, desafio-os a se perguntar:
- Qual é o meu papel?
– Servir.
- Mas servir há quem?
Se sua resposta for o que eu penso, que é, você tem mesmo servido a todos?
Mas Léa, como posso mudar isso?
• Qualificação do atendimento;
• Utilização de um método participativo, que não exclua;
• Busque excelência no atendimento à comunidade, partindo de princípios que vão desde acolhe-los, como tratá-los e compreendê-los.

Encantar o visitante e superar suas expectativas é fundamental, quando se fala em hospitalidade. Ser hospitaleiro é ser prestativo sem invadir a privacidade do cliente, se colocando no lugar dele, para entender suas necessidades e satisfazer seus desejos.
O visitante sempre, deve se sentir bem no local visitado, não só física, mas psicologicamente.
Evidentemente que não vivemos num mundo totalmente pacifico, onde as desigualdades são berrantes e onde existem muitos sofrimentos. Mas se não iniciarmos a plantar sementes, pequenas que sejam, o que será das trocas humanas futuras? Uma simples troca de mercado onde o dinheiro reina e comanda as relações como nos tempos atuais? É isso que se quer?

LIBRAS
LIBRAS é o acrônimo de Língua Brasileira de Sinais, um conjunto de formas gestuais utilizado por deficientes auditivos para a comunicação entre eles e outras pessoas, sejam elas surdas ou ouvintes. Criada para promover a Inclusão social de deficientes auditivos, a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais – é uma forma de linguagem natural. O que a diferencia das demais línguas usadas hoje é que, em vez de som, utiliza os gestos como meio de comunicação.

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QUAL A ORIGEM DE LÍNGUA DE SINAIS?
No ano de 1760 na cidade de Paris na França, onde o Abade L’Epée de aproximadamente sessenta anos fundou a primeira escola pública para surdos.
A comunicação usando as mãos era uma realidade, na Pré-História, mas, aos poucos, foi substituída pela orcilidade, pois as mãos começaram a ficar ocupadas pelo manusear das ferramentas. Por causa da predominância da língua oral, os surdos começaram a ser excluídos do convívio humano.
Na Grécia Antiga, os surdos não eram considerados seres humanos competentes, pois, para os gregos, sem fala, não havia linguagem e nem conhecimento, por isso os surdos eram abertamente marginalizados.
Na Roma Antiga, os surdos também eram privados de seus direitos e não podiam fazer seus testamentos.
Na Idade Média, por sua vez, até o século XII, a Igreja Católica considerava que a alma dos surdos não era imortal, pois eles não podiam pronunciar os Sacramentos. Foi somente na Idade Moderna que surgiu o primeiro professor de Surdos: Pedro Ponce de León, um monge beneditino nascido na Espanha.
Pedro Ponce ensinava seus alunos a falar, ler e escrever para que eles pudessem garantir suas heranças e, com isso, mostrou que os surdos eram capazes de aprender. Esse monge beneditino conseguiu criar um manual que ensinava escrita e técnicas de oralização, sendo capaz de ensinar surdos a falar diferentes idiomas

E NO BRASIL? QUEM CRIOU?
Em 1856, o conde francês Ernest Huet, que também era surdo, trouxe ao Brasil a língua de sinais francesa, afirma Moisés Gazale, diretor da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (FENEIS), no Rio de Janeiro.
E EM QUE ANO SURGIU NO BRASIL?
A Língua Brasileira de Sinais surgiu a partir do Instituto dos Surdos – Mudos, fundado em 1857 como primeira escola para surdos no Brasil – atualmente denominado Instituto Nacional da Educação de Surdos (INES).
E VOCÊ SABIA?
Que em 2002, a lei 10.436, de 24 de abril de 2002, determinou que Libras fosse reconhecida como segunda língua oficial brasileira. E importante, libras é uma língua, e não uma Linguagem. É um idioma reconhecido por lei no nosso país – com estrutura e regras próprias –e não um monte de gestos que explicam o português. E por último, a libras é a língua de sinais brasileira, o que significa que não é universal e que sua história é parte da história do Brasil.
LEGALIDADE DA LIBRAS
Existem duas línguas oficiais no Brasil.
Assim como o Português – Libras (LBS), reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil.
Portanto, a partir desta Lei, a Língua Brasileira de Sinais passou a ser considerada como um meio de comunicação e expressão e não interpretada apenas por gestos ou mímicas. Mesmo com o passar dos anos a Libras (Língua Brasileira de Sinais) continua fazendo parte de uma minoria linguística na qual é constituída por surdos e o meio social em que ele vive, através dessa língua ele consegue mostrar sua capacidade e seu desenvolvimento no meio social.
Contudo, a lei existe, mas não é executada da maneira correta em diversos lugares, não só nas escolas, como por exemplo nos bancos, consultórios médicos, supermercados e restaurantes, ou seja, ainda falta infraestrutura e profissionais qualificados que possam atender os surdos como está constituído nesta lei.
É importante saber que a atualidade é um período de plena informação e tecnologia avançada, mas encontramos ainda a crença de que no Brasil todos falam português, se esquecendo das línguas indígenas, imigrantes e da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), da língua de manifestação e expressão das pessoas surdas no acesso à educação, à saúde, à cultura e ao trabalho.
Para mudar essa realidade precisamos tratar a Língua Brasileira de Sinais como realmente nossa, defendendo-a e procurando aprender mais sobre ela.
Só uma pequena população sabe se comunicar em Libras – realidade que faz com que a vida das pessoas surdas (cerca de 9,7 milhões de brasileiras e brasileiros, segundo o censo 2010 do IBGE) seja bem mais difícil do que a dos ouvintes.
Agora, imagine a seguinte situação: você não fala nem escreve ou lê em japonês e vai passar uma semana no Japão – não tem a mínima ideia de como se pede pra ir ao banheiro ou como se pergunta onde fica o restaurante mais próximo. Complicado, não é? Agora e se você tivesse que viver isso todos os dias e no seu próprio país?

MELHOR HORA DA PRAIA
Não obstante, busquei estabelecimentos que atendessem, de maneira, que trouxessem a Inclusão de Pessoas Surdas. Fiquei chateada com as respostas das buscas, mas felizmente encontrei uma notícia de 2016, onde uma Pastelaria, investiu em capacitação, para os seus funcionários com o curso de Libras, sendo também o primeiro estabelecimento a oferecer o cardápio em Língua Brasileira de Sinais, da história do município. Isso aconteceu em Santa Maria – RS, na Pastelaria Pastelão.
A iniciativa foi tomada por uma funcionária do Pastelão, que cursa Educação Especial na UFSM. Por meio dela que a gerência recebeu a proposta e resolveu investir.
A Adriana que tomou a iniciativa, escreveu seu TCC de Conclusão de Curso, justamente sobre, “Cardápio em LIBRAS: um espaço de acessibilidade e diferença no restaurante Pastelão em Santa Maria – RS”
que estou lendo agora e recomendo.
Compartilho aqui, um trecho com vocês:
“E é justamente sabendo da necessidade de comunicação entre o funcionário ouvinte e o cliente surdo que questiono: Por que não ter, dentro das empresas, pessoas capacitadas para atender a clientela surda? Qual a dificuldade de oferecer cursos de Libras para atendentes, que com certeza, algum dia irá se deparar com um surdo em sua empresa e terá a necessidade de se comunicar? Será que as pessoas surdas estão satisfeitas com o atendimento nos restaurantes de Santa Maria? Eles conseguem suprir suas necessidades? São estes e outros questionamentos que me instigaram e continuam instigando.” – Adriana Gonçalves Maders.

O Dia Nacional de Libras é comemorado em 24 de abril. Essa data evidencia a luta da comunidade surda quanto à construção de uma sociedade mais inclusiva.

Encontrei em uma lista de Bares e Restaurante em uma plataforma de disseminação de cultura Surda, que vou deixar aqui: https://culturasurda.net/bares-restaurantes/
Encontrei nessa lista só um estabelecimento Brasileiro que conta com atendentes surdos. Vale ressaltar que o fundador Breno Oliveira também é surdo, desde que nasceu. A Sorveteria “il Sordo” fica em – Aracaju (Sergipe).
A SEMENTE FOI PLANTADA.
Entre em contato comigo caso queira saber mais, terei prazer em compartilhar diversos links.

Maria Bonita

Eu queria a personalidade presente nessa mulher para encabeçar o coquetel e foi o que me levou a batizá-lo de “Maria Bonita”.

Cangaceira ou bandoleira, mulher pobre e preta, viveu no Sertão do Estado Brasileiro. Maria Gomes de Oliveira - conhecida também como Maria de Déa - nasceu em 8 de maio de 1911 na Bahia e faleceu em 28 de julho de 1938 em Sergipe.
Iniciou no cangaço em 1930 e foi a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros.
As lendas perpetuadas pelo cordel e a fantasia, mostram Maria Bonita – ou Maria de Déa, como era conhecida no âmbito familiar – era uma cangaceira “arretada”, uma mulher que pegava em armas, uma guerreira amazona do Sertão, uma Joana D’arc da Caatinga. Essa fama chegou até os anos 1990, quando ela passaria a ser lembrada, com frequência, no dia Internacional da Mulher.

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E o que foi o Cangaço?
No final do século XIX houve grupos que lutavam contra a opressão dos coronéis no Brasil: o Cangaço. No Nordeste, a miséria assolava. As secas eram duradouras, tornando o alimento escasso. As disputas por terra eram violentas e a ordem era controladas por coronéis e seus bandos, já que a lei não valia no sertão.
Coincidentemente, o dia que escrevo este texto é 24 de Junho, quando comemora-se o Dia de São João ou Festa Junina, celebrada em vários países. Famosa no Brasil, as festividades especialmente no Nordeste, são conhecidas como o maior São João do mundo.
No Nordeste suas atrações são a quadrilha, comidas típicas, fogueira, bandeirinhas e forró. Na gastronomia nordestina, o que dá sabor é o milho e seus pratos típicos como: canjica, munguzá, milho cozido, milho assado, pamonha, bolo de milho e o bolo de pé-de-moleque.

E o que acham de harmonizar “Maria Bonita”, com um desses pratos?

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40ml de vodka
20ml de xarope de manga com pimenta
Completar com tônica
Decoração: pimenta e folha de milho
Montado em copo highball (long drink), com bastante gelo e sua classificação é refrescante.
Modo de preparo: adicione o gelo ao copo, depois a vodka e em seguida o xarope de manga com pimenta. Complete com a tônica e, delicadamente, faça uma volta com a colher bailarina e pronto. Decore com uma pimenta de preferência dedo de moça ou biquinho (na foto é a dedo-de-moça), que por serem consideradas leves você pode consumir sem fazer a famosa cara feia.

Mas o quê o Cangaço tem a ver com o São João? Tudo, serra talhada no sertão de Pernambuco, cidade natal de Lampião, transformou-se na capital do Xaxado. Foram os cangaceiros que criaram o xaxado. Mas isso é outa história.
Alavantú, Anarriê...olha a cobra...é mentira! Feliz São João!

La Belle de Jour

É um coquetel autoral meu, simples, equilibrado e refrescante. Perfeito para quarentena, por ser acessível e ter usado destilados comuns em residências. A proposta é que todos possam fazer em casa, bartenders e não bartenders.

La belle de jour remete a Praia, lembra o mar. Saudades do mar. - Saudades da praia de Boa viagem, né minha filha? - Saudades da praia de Barra de Jangada, em Jaboatão.

Usei o Rum Malibu, pois queria o coco presente nesse rum, fora o melaço e a vodka, porque procurava um álcool base para encabeçar esse drink e completei com uma tônica, assim trazendo o amargor, mas a refrescância. E, para finalizar, usei a acerola como decoração, por ser uma fruta típica do Nordeste, mas que lembra a cereja, muito comum na França.

Batizei o Drink de “La Belle de Jour”, em homenagem a música de mesmo nome de Alceu Valença, Cantor Pernambucano. A música faz parte do disco Sete Desejos, lançado em 1991, como segunda faixa do disco. Mas é a composição que verdadeiramente abre o álbum, por ser procedida por uma vinheta de 30”, com zabumba e uma degustação de Papagaio do Futuro. A canção foi descrita como um som poderoso, tão lírico e universal e, ao mesmo tempo, tão absolutamente Nordestino. E a explicação que se dá é: a canção tem tripla nacionalidade.

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Alceu Valença passou o ano de 1979 na França. Partiu junto com Raul Seixas, Jards Macalé e outros “loucos” num auto-exílio forçado de quem contestava com arte o pensamento dos ditadores do Brasil daquela época.
Fez muito sucesso lá. Gravou até um disco por lá. Tanto que voltou à “Cidade Luz” em 1986, já sem o “empurrão” da ditadura, para um grande festival. Havia morado em Paris e conhecia bem seus encantos e recantos. Resolveu tomar umas após a apresentação – justamente, no primeiro lugar onde se apresentara para os parisienses. Um certo “Bar dos Filósofos” na Rive Gauche. Diz a lenda que chegou lá com um produtor e, afora dois ou três filosofantes habituais, percebera duas mulheres fazendo companhia uma à outra em uma das mesas – pouca gente. Ninguém parecia tê-lo reconhecido. Alceu resolveu puxar assunto com uma dessas moças. Alceu disse a ela que era um poeta. “Então me faça um poema!”, pediu a mulher.
Ao voltar pra Recife, o compositor teve a ideia de fazer uma canção que celebrasse aquele encontro em Paris, misturado a outras inspirações que lhe cercavam. Lembrou dos olhos azuis de Jacqueline e os associou aos de uma namorada que teve no Recife, frequentadora da Praia de Boa Viagem. A Moça de Paris que o Alceu conheceu, ele descobriu só depois, era Jacqueline Bisset.
Ele associou o encontro em Paris com Jacqueline ao filme La Belle de Jour (A Bela da Tarde – 1967 filme francês do Espanhol Luis Buñuel).
Percebera só depois que, Jacqueline Bisset, apesar do sobrenome, é Britânica. E na verdade, quem estrela o longa é Catherine Deneuve – essa sim francesa. Mestre Valença trocou as bolas e homenageou o país e a atriz errada. Por fim, acabou juntando numa mesma melodia uma musa brasileira, com outra francesa e uma terceira britânica. Dessa mistura maluca, nasceu um clássico da MPB.

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40ml de vodka Ketel One
20ml de Malibu Rum
Completar com tônica
Classificação: Refrescante
Long Drink (Highball)
Guarnição: Acerola
Modo de preparo: coquetel montado. Adicione o gelo, depois, a vodka e em seguida a Malibu. Por fim, complete com a água tônica. Se possível com uma colher bailarina mexa delicadamente completando uma volta. Por fim, decore com uma acerola. E tá pronto!

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