Bartenders em Casa - Leandra Cristina

Escrito por Leandra Cristina

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Meu nome é Leandra, tenho 21 anos. Sou natural de Recife – Pernambuco, mas resido em Jaboatão dos Guararapes, cidade vizinha.
Comecei no Bar aos 19, por acaso. Iniciei como barback e meses depois já estava comandando o bar. Fazia também a função de garçonete, abertura e fechamento de Caixa!
Acabei tomando gosto pelo bar, mas não tinha qualificação na área e foi aí que resolvi fazer um Curso de Bartender em Recife. Até então, eu só conhecia a clássica Caipirinha e a Caipiroska; depois do curso minha mente se expandiu para as infinitas possibilidades dentro do mundo dos destilados. Fiquei fascinada. Preciso ressaltar que nunca tive casa fixa: venho trabalhando como Freelancer na função de bartender há 2 anos. Não por escolha minha: infelizmente, a coquetelaria em Recife a predominância e exigência ainda é de homens.

Antes de mais nada, quero agradecer ao COLETIVO ADA COLEMAN, que me indicou e está contribuindo com valor significativo de um salário para mulheres bartenders prejudicadas nessa pandemia.
Obrigada a quem colaborou para que isso acontecesse!
Marcas, Empresas, pessoas físicas, obrigada!

CADÊ A MULHER AQUI?

Um guia importante para ao criar um coquetel é avaliar para que, para quem, para onde e como será feito seu coquetel. Isso é indispensável.
Flavor Map e Flavor Profile ajudam a identificar os 5 sabores que um coquetel pode ter: doce, salgado, amargo, azedo e umami. Além disso, buscamos sempre aroma, sabor, textura e cor.
A partir daí, você já pode desenvolver o seu próprio coquetel balanceado, seguindo uma regra: Doce+Ácido+Fraco+Forte. Esta é a fórula básica do tradicional ponche, considerado por muitos o mais antigo estilo de coquetel.

Dito isso, vamos comigo criar um drink? Ou melhor, um texto?

CADÊ A MULHER AQUI?
(como criar um drink e um texto ao mesmo tempo)
Fiz um mapeamento de mulheres bartenders presentes no Nordeste do Brasil e encontrei 40 de diversas partes da região. É irresponsável dizer que só exista 40 mulheres bartenders nessa região, mas demandaria mais tempo encontrar as outras, então, os deixo apenas com algumas.
Além disso, fiz uma pesquisa online com elas, onde criei um questionário e que venho compartilhar com vocês aqui o relato de nove mulheres.
Os nomes foram omitidos por questões de privacidade.

RELATO 1#
Bartender mulher, 25 anos, Recife-PE
É bartender? – Há quanto tempo?
Bartender Profissional somando todas as experiências, faz mais ou menos 4 a 5 anos.
Possui qualificação?
Bartender profissionalizante pelo SENAC PE; Gestão de bares e restaurantes pelo IPED;
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Estou empregada, sou chefe de bar na empresa SUB Urban Bar.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Sim, todas as funções, com exceção do abastecimento dos barris de chope, por serem muito pesados. Por isto, sempre tenho ajuda do staff no reabastecimento da casa.

RELATO 2#
Bartender mulher, 28 anos, Fortaleza-CE
É bartender? – Há quanto tempo?
Sou bartender a sete anos.
Possui qualificação?
Possuo curso da Diageo.
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Estou empregada, sou Head bartender do Zelig Bar.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Sim, desenvolvo os mesmos papéis de um homem.

RELATO 3#
Bartender mulher, 22 anos, Recife-PE
É bartender? – Há quanto tempo?
Sim, sou bartender e atuo na área a mais ou menos dois anos.
Possui qualificação?
Fiz apenas um curso básico. 90% do que sei aprendi na prática.
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Trabalho em eventos como freelancer.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Sim, faço as mesmas coisas, carrego caixas de materiais, garrafões de água mineral, corto e higienizo os materiais e etc.

RELATO 4#
Bartender mulher, 30 anos, Recife-PE
É bartender? – Há quanto tempo?
Sim, 3 anos.
Possui qualificação?
Sim, Senac e curso doLuciano Guimarães.
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Não, trabalho como freelancer.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Sim, todas as funções.

RELATO 5#
Bartender mulher, 34 anos, natural de Brasília, trabalha na Praia de Pipa-RN
É bartender? – Há quanto tempo?
Sim, há 4 anos.
Possui qualificação?
Sim.
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Desempregada.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Sim.

RELATO 6#
Bartender mulher, 26 anos, Recife-PE
É bartender? – Há quanto tempo?
Sim. Há 8 anos.
Possui qualificação?
Sim.
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Estou empregada. Já trabalhei com freelancer durante 5 anos.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Sim.

RELATO 7#
Bartender mulher, 25 anos, Salvador-BA
É bartender? – Há quanto tempo?
Sim. 1 ano e meio.
Possui qualificação?
Formada em gastronomia, com curso de introdução a bartender school e boas práticas na manipulação de alimentos pelo Senac.
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Sim, estou empregada.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Sim! E ainda mais. Mas como Chefe tenho liberdade de delegar.

RELATO 8#
Bartender mulher, 21 anos, Fortaleza-CE
É bartender? – Há quanto tempo?
Sim, há 4 anos.
Possui qualificação?
Sim.
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Estou empregada.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Sim.

RELATO 9#
Bartender mulher, 30 anos, Recife-PE
É bartender? – Há quanto tempo?
Atualmente estou em transição de carreira para a área de tecnologia, mas trabalhei em restaurantes e bares por 10 anos, me especializando como bartender nos últimos dois.
Possui qualificação?
Sim. Fiz o curso técnico de bartender profissional pelo Senac – PE. Fora outros cursos relacionados ao meio cervejeiro.
Está empregada? Ou trabalha com freelancer?
Mesmo fazendo diversos processos seletivos, consegui apenas uma vez trabalhar como bartender fixa, o que era minha pretensão. Infelizmente o estabelecimento fechou pouco tempo depois por problemas financeiros. Mas consegui trabalhar em alguns freelas.
Você desenvolve a mesma função que um homem atrás do Balcão? Ex: arrumar praça, preparar insumos, atender, carregar caixas;
Antes de atuar como bartender, já possuía a experiência de trabalhar em cozinha e atendimento ao cliente, então ao estudar para minha formação como bartender, estas duas funções serviram de base para mim perfeitamente.
Por trabalhar também no serviço de cerveja artesanal, aprendi todo o processo de controle e troca de barris, carregava insumos, fazia o controle de estoque de alcoólicos e não-alcoólicos e higienização dos mesmos e de utensílios. Também fazia toda minha mise-en-place e preparo drinks clássicos e autorais. Às vezes, ainda tinha que quebrar o galho como caixa e atendimento ao cliente.

Esse é o Doce do meu coquetel: encontrar mulheres no ramo, qualificadas e com bastante experiência. Onde muitas vezes são subjugadas, com o discurso machista de que "mulheres não conseguem desempenhar o mesmo trabalho que um homem", de que “mulheres são fracas”. Nitidamente, parece que esse discurso é raso e um tanto inválido, segundo o relato dessas mulheres acima e com prazo de validade vencido, né mores?
Presta atenção no prazo de validade dos ingredientes júnior

É difícil encontrar mulheres trabalhando como bartenders – profissão predominantemente masculina, tanto que o sinônimo mais usado é “barman”. Oh machismo de cada dia.

Mas, o que é machismo?
Basicamente, é a desigualdade de direitos entre homens e mulheres, é um preconceito, expresso por opiniões e atitudes, que se opõe à igualdade de direitos entre os gêneros, favorecendo o gênero masculino em detrimento ao feminino.
Na prática, uma pessoa machista é aquela que acredita que homens e mulheres têm papéis distintos na sociedade, que a mulher não pode ou não deve se portar e ter os mesmos direitos de um homem ou que julga a mulher como inferior ao homem em aspectos físicos, intelectuais e sociais. O machismo pode ser entendido também como a soma do sexismo e da misoginia.
E lá vem o assédio...Alguém já descobriu que ingrediente é esse?

E o que é assédio?
Assédio pode ser uma série de comportamentos que incomodam, importunam, humilham ou perseguem uma pessoa ou grupo específico. O assédio pode se manifestar de muitas formas, algumas mais explícitas e outras mais “veladas”.

O que é assédio no trabalho?
Caracterizado quando expõe o trabalhador a humilhações, constrangimentos e outras situações diversas. É importante ressaltar que o assédio não tem, necessariamente, relação de hierarquia, ou seja, ele pode acontecer entre funcionários de mesmo nível ou, até mesmo, de um inferior relacionado ao superior.

E quais são os tipos de assédio no trabalho?
O assédio no trabalho pode se apresentar de diversas formas, mas as mais comuns estão divididas em moral e sexual.

Na pesquisa de mapeamento no questionário adicionei mais uma pergunta não menos importante, procurando dar visibilidade aos abusos que as mulheres que trabalham na área sofrem no ambiente de bar. Agora vamos para um componente Fraco, porque uma pessoa que assedia, constrange, menospreza, agride, humilha ou odeia uma mulher, jamais pode ser considerado um agente forte.

Relato 1#
Bartender mulher, 25 anos, Recife-PE
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Já sofri assédio por chefe em outras empresas a ponto de só me permitir fazer carreira se tivesse mantido relações sexuais, o que não aconteceu. Já trabalhei com colegas de profissão que por na época terem mais experiências em outros bares e ser mais bem relacionado com “On trades/Representantes” me forçavam a executar o meu serviço e o deles, além de me tratar como inferior no dia-a-dia. Já ouvi inúmeras vezes (assim que entrei no ramo) comentários de clientes, do tipo: “É só mais um rostinho bonito, aposto que não sabe fazer nem uma caipirinha direito.” Entre outras situações...

Relato 2#
Bartender mulher, 28 anos, Fortaleza-CE
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Sim, sempre me julgaram por ser mulher e não ter a mesma força ou “capacidade” de um homem em empregos passados.

Relato 3#
Bartender mulher, 22 anos, Recife-PE
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Aconteceu mais de uma vez, sofri assédio de convidados em dois eventos. Meus companheiros de trabalho me ajudaram.

Relato 4#
Bartender mulher, 30 anos, Recife-PE
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Já sofri preconceito por ser mulher, muitas pessoas que entrei em contato para emprego fixo ou freelancer informava que a vaga já havia sido preenchida.

Relato 5#
Bartender mulher, 34 anos, trabalha na Praia de Pipa-RN
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Sim, tem cliente que se passa. No último bar que trabalhei a equipe era só de mulheres, muitos chegavam perguntando pelo bartender ou pelo responsável.

Relato 6#
Bartender mulher, 26 anos, Recife-PE
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Sim, quando exercia a função de chefe de bar em uma hamburgueria do Recife, tive dois barbacks homens. Tive alguns problemas por não aceitarem minha dinâmica de trabalho, organização e hierarquia. Quando selecionei uma mulher foi outra realidade: trabalhávamos com mais respeito e sintonia. Depois de um ano ela assumiu meu lugar e eu segui para outro bar com outra proposta.

Relato 7#
Bartender mulher, 25 anos, Salvador-BA
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Sim, um freela chegou no bar para diária de barback e não aceitou receber meus comandos, passava a função de espremer limão e ele chegou a me responder “faz você, tem mais jeito pra isso, você sabe né?” Ele nunca mais voltou e eu continuo bem plena, fazendo meu trampo e crescendo na empresa cada dia mais!

Relato 8#
Bartender mulher, 21 anos, Fortaleza-CE
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Sim, já cheguei a ser demitida por um gerente que dizia que eu não daria conta do trabalho por ser mulher.

Relato 9#
Bartender mulher, 30 anos, Recife-PE
Você já sofreu algum tipo de assédio no ambiente de trabalho ou preconceito por ser mulher? Se sim, você pode relatar?
Trabalhar em bares e restaurantes é um trabalho pesado e exaustivo. As jornadas são longas e o pagamento é pouco. Somando-se a isso, temos que nos provar como mulheres detentoras de conhecimento do que estão fazendo. Além dos assédios, que podem ser morais, sexuais, e muitos outros.
No atendimento no balcão, é comum ouvir obscenidades de clientes do sexo masculino e a política da casa para esse tipo de situação é: ”sorria, seja cordial e não crie confusão, pois ele está pagando seu salário. ” Isso também ocorre quando vamos atendê-los pessoalmente, de ser agarrada pela cintura e eles querem que você fique ali, como se não fosse uma profissional no seu ambiente de trabalho. A mesma coisa: sorrir, tentar se desvencilhar com cautela, respirar fundo e seguir pela noite de labuta.
Outra situação que acontece muito é quando os proprietários do estabelecimento ou seus “conhecidos” – enquadre aqui qualquer um que chega e diz: “Eu conheço fulano de tal e vou ligar pra ele agora se você não ficar! ” – nos obrigam a ficar muito além do horário do expediente, não tendo nenhum cliente mais, apenas para atendê-los. Isso é péssimo para toda a equipe, mas para nós, tem um agravante: somos mulheres andando sozinhas de madrugada, pegando um ônibus em que muitas vezes somos o único ser do sexo feminino ali. O medo pela vida é real, visto as altas taxas de Feminicídio do país.
Outra vez, ainda trabalhando em cozinha, eu fazia parte de uma equipe em que só tinha eu e outra menina. Eu seguia o horário de expediente como toda a equipe, mas o meu cargo era de estagiária, ganhando 400 reais e só. Eles nem uniforme me davam, eu que tive que arcar com minha dólmã. Um dia, na correria da faculdade/trabalho, precisei ir de calça tipo legging. Eu tive que ouvir do chefe de cozinha: “Nunca mais venha com esse tipo de roupa aqui. Você está distraindo os outros cozinheiros com essa calça colada". Esses são alguns relatos. Eu sempre me orgulhei muito de ocupar espaço em um meio dominado por homens e realmente cresci muito nesses anos, mas ainda é muito difícil as pessoas entenderem que competência e profissionalismo independe da sua identidade de gênero. Atualmente, eu estou mudando para a área de tecnologia. Preferi levar minha luta de ocupar esses espaços para um lugar que pelo menos me ofereça uma remuneração decente.

Agora vamos de ingrediente Forte, que pode ser classificado como o álcool base ou destilado de sua preferência.
Coletivo Ada Coleman
O Coletivo Ada Coleman, idealizado pelas bartenders que Chula Barmaid, Dida Teodoro, Michelly Rossi e Thatta Kimura, durante essa pandemia tiveram a iniciativa de criar a “Coquetelaria em Vertigem”, que é uma ação que visa ajudar mulheres bartenders que estão sofrendo com o atual cenário pandêmico. E é por causa delas que estou escrevendo para vocês aqui agora: fui indicada pelo Coletivo para ser uma das cinco mulheres para escrever para a edição especial Dia Mundial do Coquetel (13/05), no “Bartenders em Casa ” – projeto do Difford's Guide Brasil, que oferecerá ajuda financeira de 1 salário mínimo a 33 bartenders de todo o país. Algumas bartenders foram selecionadas e receberão a ajuda financeira de um salário mínimo que o Coletivo Ada junto com as marcas, empresas e pessoas físicas estão nos proporcionando. O Difford's Guide fez a doação equivalente para o Coletivo.

Maria Maria Bartenders
Além de prestar serviços de bar, é um projeto que incentiva mulher a ocupar o bar. Nessa pandemia, elas estão com vendas de drinks online, direcionando todo o valor das vendas para ajudar as bartenders da equipe, que estão sem trabalho precisando de auxílio financeiro durante esta pandemia. A Maria Maria é um negócio social que tem como um dos seus objetivos o empoderamento feminino.

Minas do Bar
O projeto Minas do Bar foi criado com o intuito de mostrar a força feminina na barra. Empoderar a classe feminina e fazer a divulgação dos trabalhos, marcas, produtos e serviços, através de fotos, vídeos, textos, cobertura de eventos e entrevistas.
Mulheres são censuradas e caladas todos os dias, mas essas mulheres resolveram não se calar e levantar o vozeirão: “Elas por elas! ”

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Ada Coleman (1875–1966), única mulher a ser head bartender do The American Bar no hotel Savoy, em Londres, e criadora do coquetel hanky Panky

O BAR É PARA QUEM?

HOSPITALIDADE
Do latim hospitalitas.atis. Substantivo feminino. Característica da pessoa hospitaleira; qualidade do lugar em que há boa acolhida. Ação ou efeito de hospedar; hospedagem. Sinônimo de acolhimento, hospedagem. Antônimo de Inospitalidade.

HOSPITALIDADE X FELICIDADE
A hospitalidade está ligada ao ser humano. Pode vir da origem, da herança cultural, do espírito. É fazer algo melhor para o outro. Não se treina, se educa no sentido de uma compreensão mais humana sobre o tema. Daí a importância da valorização do ser humano no local de trabalho, pois ocasiona a motivação, que proporciona a felicidade. O prazer de exercer, sim, o papel remunerado do ato de receber, mas em que o entendimento da hospitalidade esteja ligado à felicidade dos seres. A felicidade é um estado de espírito que facilita “aberturas” no ser humano, que proporciona trocas humanas, ou seja, pode desencadear a hospitalidade nata. Principalmente quando ela for entendida neste sentido.

ERA UMA VEZ...
Era uma vez um grupo de amigos que como qualquer outro nas ruas do Recife Antigo em uma sexta à noite buscavam se divertir. Dessa vez, foram até o bar; ao chegar lá dirigiram-se para o balcão pedir informação à bartender sobre o quê havia ali. Mas algo os impedia de conseguir a informação. O grupo de amigos eram surdos! - possuíam deficiência auditiva. Essa história não é fictícia, essa história é minha, ou melhor, deles.
Mas o que isso tem a ver com Hospitalidade, Léa?
Hospitalidade é o ato de hospedar, ou seja, receber e cuidar de alguém que pertença a um ambiente diferente do anfitrião (pessoa que concede hospedagem). Então tem tudo a ver!

Aconteceu comigo em 2018, no primeiro bar que eu passei. Lembro que isso me incomodou muito e me incomoda até hoje. Acabei gravando na memória. Esperando um momento proveitoso para iniciar essa discussão, onde eu teria ouvintes.

Ali, eu atendi um grupo de cinco amigos com deficiência auditiva; eram rapazes e garotas que queriam uma informação. Mas eu não os compreendia. Não tinha um curso básico ou formação em Libras.
Lembro que aquilo me chocou, fiquei desanimada e entristecida em não ter como ajudar o grupo. Chamou minha atenção para a negligência que a comunidade de deficientes auditivos sofre. Vale ressaltar, para os leigos, que o que os impedia de conseguir a informação não era as suas deficiências, características que não podem ser alteradas, mas o descaso da sociedade com os deficientes auditivos.

HOSPITALIDADE X RÓTULOS
As pessoas são antes de qualquer “rotulação” seres humanos. Por trás de qualquer profissional, existe o “ser”, a “alma”, ou seja, não se pode separar ao todo as relações. Por mais profissionais e mercantis que possam ser, o diferencial humano sempre será uma característica essencial na troca de indivíduos.
Aos donos de Bares e Restaurantes, que não me levem à mal, mas depois dessa pandemia a gente não precisa e não deve voltar a ser como éramos antes.
Negligenciar e fingir que uma minoria não consome, não bebe, é perder dinheiro e humanamente cruel.

HOSPITALIDADE X INDÚSTRIA
Às vezes denominada “indústria” da hospitalidade, que ora se transforma em produto, ora se caracteriza como serviço, ora se refere à interação satisfatória entre a cidade e as pessoas que nela se movimentam, ora se refere à segurança, ao conforto fisiológico e psíquico do hóspede, ou às estruturas físicas ou culturais. De qualquer forma, a hospitalidade acarreta a realização de trocas de bens e serviços materiais ou simbólicos entre o receptor e o acolhido, ou entre o anfitrião e o hóspede.

ESPERO PLANTAR UMA SEMENTE
Senhoras e senhores, profissionais de bar e restaurante, gerentes e donos, desafio-os a se perguntar:
- Qual é o meu papel?
– Servir.
- Mas servir há quem?
Se sua resposta for o que eu penso, que é, você tem mesmo servido a todos?
Mas Léa, como posso mudar isso?
• Qualificação do atendimento;
• Utilização de um método participativo, que não exclua;
• Busque excelência no atendimento à comunidade, partindo de princípios que vão desde acolhe-los, como tratá-los e compreendê-los.

Encantar o visitante e superar suas expectativas é fundamental, quando se fala em hospitalidade. Ser hospitaleiro é ser prestativo sem invadir a privacidade do cliente, se colocando no lugar dele, para entender suas necessidades e satisfazer seus desejos.
O visitante sempre, deve se sentir bem no local visitado, não só física, mas psicologicamente.
Evidentemente que não vivemos num mundo totalmente pacifico, onde as desigualdades são berrantes e onde existem muitos sofrimentos. Mas se não iniciarmos a plantar sementes, pequenas que sejam, o que será das trocas humanas futuras? Uma simples troca de mercado onde o dinheiro reina e comanda as relações como nos tempos atuais? É isso que se quer?

LIBRAS
LIBRAS é o acrônimo de Língua Brasileira de Sinais, um conjunto de formas gestuais utilizado por deficientes auditivos para a comunicação entre eles e outras pessoas, sejam elas surdas ou ouvintes. Criada para promover a Inclusão social de deficientes auditivos, a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais – é uma forma de linguagem natural. O que a diferencia das demais línguas usadas hoje é que, em vez de som, utiliza os gestos como meio de comunicação.

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QUAL A ORIGEM DE LÍNGUA DE SINAIS?
No ano de 1760 na cidade de Paris na França, onde o Abade L’Epée de aproximadamente sessenta anos fundou a primeira escola pública para surdos.
A comunicação usando as mãos era uma realidade, na Pré-História, mas, aos poucos, foi substituída pela orcilidade, pois as mãos começaram a ficar ocupadas pelo manusear das ferramentas. Por causa da predominância da língua oral, os surdos começaram a ser excluídos do convívio humano.
Na Grécia Antiga, os surdos não eram considerados seres humanos competentes, pois, para os gregos, sem fala, não havia linguagem e nem conhecimento, por isso os surdos eram abertamente marginalizados.
Na Roma Antiga, os surdos também eram privados de seus direitos e não podiam fazer seus testamentos.
Na Idade Média, por sua vez, até o século XII, a Igreja Católica considerava que a alma dos surdos não era imortal, pois eles não podiam pronunciar os Sacramentos. Foi somente na Idade Moderna que surgiu o primeiro professor de Surdos: Pedro Ponce de León, um monge beneditino nascido na Espanha.
Pedro Ponce ensinava seus alunos a falar, ler e escrever para que eles pudessem garantir suas heranças e, com isso, mostrou que os surdos eram capazes de aprender. Esse monge beneditino conseguiu criar um manual que ensinava escrita e técnicas de oralização, sendo capaz de ensinar surdos a falar diferentes idiomas

E NO BRASIL? QUEM CRIOU?
Em 1856, o conde francês Ernest Huet, que também era surdo, trouxe ao Brasil a língua de sinais francesa, afirma Moisés Gazale, diretor da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (FENEIS), no Rio de Janeiro.
E EM QUE ANO SURGIU NO BRASIL?
A Língua Brasileira de Sinais surgiu a partir do Instituto dos Surdos – Mudos, fundado em 1857 como primeira escola para surdos no Brasil – atualmente denominado Instituto Nacional da Educação de Surdos (INES).
E VOCÊ SABIA?
Que em 2002, a lei 10.436, de 24 de abril de 2002, determinou que Libras fosse reconhecida como segunda língua oficial brasileira. E importante, libras é uma língua, e não uma Linguagem. É um idioma reconhecido por lei no nosso país – com estrutura e regras próprias –e não um monte de gestos que explicam o português. E por último, a libras é a língua de sinais brasileira, o que significa que não é universal e que sua história é parte da história do Brasil.
LEGALIDADE DA LIBRAS
Existem duas línguas oficiais no Brasil.
Assim como o Português – Libras (LBS), reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil.
Portanto, a partir desta Lei, a Língua Brasileira de Sinais passou a ser considerada como um meio de comunicação e expressão e não interpretada apenas por gestos ou mímicas. Mesmo com o passar dos anos a Libras (Língua Brasileira de Sinais) continua fazendo parte de uma minoria linguística na qual é constituída por surdos e o meio social em que ele vive, através dessa língua ele consegue mostrar sua capacidade e seu desenvolvimento no meio social.
Contudo, a lei existe, mas não é executada da maneira correta em diversos lugares, não só nas escolas, como por exemplo nos bancos, consultórios médicos, supermercados e restaurantes, ou seja, ainda falta infraestrutura e profissionais qualificados que possam atender os surdos como está constituído nesta lei.
É importante saber que a atualidade é um período de plena informação e tecnologia avançada, mas encontramos ainda a crença de que no Brasil todos falam português, se esquecendo das línguas indígenas, imigrantes e da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), da língua de manifestação e expressão das pessoas surdas no acesso à educação, à saúde, à cultura e ao trabalho.
Para mudar essa realidade precisamos tratar a Língua Brasileira de Sinais como realmente nossa, defendendo-a e procurando aprender mais sobre ela.
Só uma pequena população sabe se comunicar em Libras – realidade que faz com que a vida das pessoas surdas (cerca de 9,7 milhões de brasileiras e brasileiros, segundo o censo 2010 do IBGE) seja bem mais difícil do que a dos ouvintes.
Agora, imagine a seguinte situação: você não fala nem escreve ou lê em japonês e vai passar uma semana no Japão – não tem a mínima ideia de como se pede pra ir ao banheiro ou como se pergunta onde fica o restaurante mais próximo. Complicado, não é? Agora e se você tivesse que viver isso todos os dias e no seu próprio país?

MELHOR HORA DA PRAIA
Não obstante, busquei estabelecimentos que atendessem, de maneira, que trouxessem a Inclusão de Pessoas Surdas. Fiquei chateada com as respostas das buscas, mas felizmente encontrei uma notícia de 2016, onde uma Pastelaria, investiu em capacitação, para os seus funcionários com o curso de Libras, sendo também o primeiro estabelecimento a oferecer o cardápio em Língua Brasileira de Sinais, da história do município. Isso aconteceu em Santa Maria – RS, na Pastelaria Pastelão.
A iniciativa foi tomada por uma funcionária do Pastelão, que cursa Educação Especial na UFSM. Por meio dela que a gerência recebeu a proposta e resolveu investir.
A Adriana que tomou a iniciativa, escreveu seu TCC de Conclusão de Curso, justamente sobre, “Cardápio em LIBRAS: um espaço de acessibilidade e diferença no restaurante Pastelão em Santa Maria – RS”
que estou lendo agora e recomendo.
Compartilho aqui, um trecho com vocês:
“E é justamente sabendo da necessidade de comunicação entre o funcionário ouvinte e o cliente surdo que questiono: Por que não ter, dentro das empresas, pessoas capacitadas para atender a clientela surda? Qual a dificuldade de oferecer cursos de Libras para atendentes, que com certeza, algum dia irá se deparar com um surdo em sua empresa e terá a necessidade de se comunicar? Será que as pessoas surdas estão satisfeitas com o atendimento nos restaurantes de Santa Maria? Eles conseguem suprir suas necessidades? São estes e outros questionamentos que me instigaram e continuam instigando.” – Adriana Gonçalves Maders.

O Dia Nacional de Libras é comemorado em 24 de abril. Essa data evidencia a luta da comunidade surda quanto à construção de uma sociedade mais inclusiva.

Encontrei em uma lista de Bares e Restaurante em uma plataforma de disseminação de cultura Surda, que vou deixar aqui: https://culturasurda.net/bares-restaurantes/
Encontrei nessa lista só um estabelecimento Brasileiro que conta com atendentes surdos. Vale ressaltar que o fundador Breno Oliveira também é surdo, desde que nasceu. A Sorveteria “il Sordo” fica em – Aracaju (Sergipe).
A SEMENTE FOI PLANTADA.
Entre em contato comigo caso queira saber mais, terei prazer em compartilhar diversos links.

Maria Bonita

Eu queria a personalidade presente nessa mulher para encabeçar o coquetel e foi o que me levou a batizá-lo de “Maria Bonita”.

Cangaceira ou bandoleira, mulher pobre e preta, viveu no Sertão do Estado Brasileiro. Maria Gomes de Oliveira - conhecida também como Maria de Déa - nasceu em 8 de maio de 1911 na Bahia e faleceu em 28 de julho de 1938 em Sergipe.
Iniciou no cangaço em 1930 e foi a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros.
As lendas perpetuadas pelo cordel e a fantasia, mostram Maria Bonita – ou Maria de Déa, como era conhecida no âmbito familiar – era uma cangaceira “arretada”, uma mulher que pegava em armas, uma guerreira amazona do Sertão, uma Joana D’arc da Caatinga. Essa fama chegou até os anos 1990, quando ela passaria a ser lembrada, com frequência, no dia Internacional da Mulher.

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E o que foi o Cangaço?
No final do século XIX houve grupos que lutavam contra a opressão dos coronéis no Brasil: o Cangaço. No Nordeste, a miséria assolava. As secas eram duradouras, tornando o alimento escasso. As disputas por terra eram violentas e a ordem era controladas por coronéis e seus bandos, já que a lei não valia no sertão.
Coincidentemente, o dia que escrevo este texto é 24 de Junho, quando comemora-se o Dia de São João ou Festa Junina, celebrada em vários países. Famosa no Brasil, as festividades especialmente no Nordeste, são conhecidas como o maior São João do mundo.
No Nordeste suas atrações são a quadrilha, comidas típicas, fogueira, bandeirinhas e forró. Na gastronomia nordestina, o que dá sabor é o milho e seus pratos típicos como: canjica, munguzá, milho cozido, milho assado, pamonha, bolo de milho e o bolo de pé-de-moleque.

E o que acham de harmonizar “Maria Bonita”, com um desses pratos?

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40ml de vodka
20ml de xarope de manga com pimenta
Completar com tônica
Decoração: pimenta e folha de milho
Montado em copo highball (long drink), com bastante gelo e sua classificação é refrescante.
Modo de preparo: adicione o gelo ao copo, depois a vodka e em seguida o xarope de manga com pimenta. Complete com a tônica e, delicadamente, faça uma volta com a colher bailarina e pronto. Decore com uma pimenta de preferência dedo de moça ou biquinho (na foto é a dedo-de-moça), que por serem consideradas leves você pode consumir sem fazer a famosa cara feia.

Mas o quê o Cangaço tem a ver com o São João? Tudo, serra talhada no sertão de Pernambuco, cidade natal de Lampião, transformou-se na capital do Xaxado. Foram os cangaceiros que criaram o xaxado. Mas isso é outa história.
Alavantú, Anarriê...olha a cobra...é mentira! Feliz São João!

La Belle de Jour

É um coquetel autoral meu, simples, equilibrado e refrescante. Perfeito para quarentena, por ser acessível e ter usado destilados comuns em residências. A proposta é que todos possam fazer em casa, bartenders e não bartenders.

La belle de jour remete a Praia, lembra o mar. Saudades do mar. - Saudades da praia de Boa viagem, né minha filha? - Saudades da praia de Barra de Jangada, em Jaboatão.

Usei o Rum Malibu, pois queria o coco presente nesse rum, fora o melaço e a vodka, porque procurava um álcool base para encabeçar esse drink e completei com uma tônica, assim trazendo o amargor, mas a refrescância. E, para finalizar, usei a acerola como decoração, por ser uma fruta típica do Nordeste, mas que lembra a cereja, muito comum na França.

Batizei o Drink de “La Belle de Jour”, em homenagem a música de mesmo nome de Alceu Valença, Cantor Pernambucano. A música faz parte do disco Sete Desejos, lançado em 1991, como segunda faixa do disco. Mas é a composição que verdadeiramente abre o álbum, por ser procedida por uma vinheta de 30”, com zabumba e uma degustação de Papagaio do Futuro. A canção foi descrita como um som poderoso, tão lírico e universal e, ao mesmo tempo, tão absolutamente Nordestino. E a explicação que se dá é: a canção tem tripla nacionalidade.

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Alceu Valença passou o ano de 1979 na França. Partiu junto com Raul Seixas, Jards Macalé e outros “loucos” num auto-exílio forçado de quem contestava com arte o pensamento dos ditadores do Brasil daquela época.
Fez muito sucesso lá. Gravou até um disco por lá. Tanto que voltou à “Cidade Luz” em 1986, já sem o “empurrão” da ditadura, para um grande festival. Havia morado em Paris e conhecia bem seus encantos e recantos. Resolveu tomar umas após a apresentação – justamente, no primeiro lugar onde se apresentara para os parisienses. Um certo “Bar dos Filósofos” na Rive Gauche. Diz a lenda que chegou lá com um produtor e, afora dois ou três filosofantes habituais, percebera duas mulheres fazendo companhia uma à outra em uma das mesas – pouca gente. Ninguém parecia tê-lo reconhecido. Alceu resolveu puxar assunto com uma dessas moças. Alceu disse a ela que era um poeta. “Então me faça um poema!”, pediu a mulher.
Ao voltar pra Recife, o compositor teve a ideia de fazer uma canção que celebrasse aquele encontro em Paris, misturado a outras inspirações que lhe cercavam. Lembrou dos olhos azuis de Jacqueline e os associou aos de uma namorada que teve no Recife, frequentadora da Praia de Boa Viagem. A Moça de Paris que o Alceu conheceu, ele descobriu só depois, era Jacqueline Bisset.
Ele associou o encontro em Paris com Jacqueline ao filme La Belle de Jour (A Bela da Tarde – 1967 filme francês do Espanhol Luis Buñuel).
Percebera só depois que, Jacqueline Bisset, apesar do sobrenome, é Britânica. E na verdade, quem estrela o longa é Catherine Deneuve – essa sim francesa. Mestre Valença trocou as bolas e homenageou o país e a atriz errada. Por fim, acabou juntando numa mesma melodia uma musa brasileira, com outra francesa e uma terceira britânica. Dessa mistura maluca, nasceu um clássico da MPB.

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40ml de vodka Ketel One
20ml de Malibu Rum
Completar com tônica
Classificação: Refrescante
Long Drink (Highball)
Guarnição: Acerola
Modo de preparo: coquetel montado. Adicione o gelo, depois, a vodka e em seguida a Malibu. Por fim, complete com a água tônica. Se possível com uma colher bailarina mexa delicadamente completando uma volta. Por fim, decore com uma acerola. E tá pronto!

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