A história do White Lady

Escrito por Simon Difford

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Batido e servido "straight-up" em uma taça coupette, o coquetel White Lady é feito com gin, triple sec e suco de limão siciliano. Muitos também adicionam clara de ovo e xarope de açúcar (veja a minha receita de White Lady ). A decoração é um twist de casca de limão siciliano.

Embora alguns questionem o mérito da adição de clara de ovo e açúcar, o trio gin, triple sec e limão é irrepreensível - ainda que existam variações sutis de proporções. No entanto, quando Harry MacElhone, de Dundee, na Escócia, criou o seu White Lady em 1919, quando trabalhava no Ciro's Club de Londres, o drink consistia de partes iguais de triple sec, crème de menthe branco e suco de limão siciliano. Esta receita está registrada em seu livro Harry's ABC of Mixing Cocktails, de 1922.

Afirma-se que foi MacElhone quem criou a versão do White Lady que conhecemos atualmente (com gin no lugar do crème de menthe branco), em 1929, no seu próprio Harry's New York Bar, em Paris, França.

Essa afirmação que dá a MacElhone o crédito pela criação do While Lady com base de gin é questionada pela maioria, incluindo o Savoy Hotel de Londres, que afirma que esta versão agora dominante foi criada no bar do hotel, o The American Bar, por Harry Craddock. Segundo a história, a esposa de F. Scott Fitzgerald, Zelda, estava bebendo no Savoy e Craddock nomeou o drink em homenagem a ela, porque ela era loira platinada.

Durante a reforma do American Bar no Savoy, em 1927, Craddock pôs uma coqueteleira com os ingredientes do White Lady sobre os tijolos a serem assentados nas obras do edifício. Isso foi dois anos antes de MacElhone supostamente ter reformulado sua receita em seu bar novo, em Paris. Uma receita de White Lady aparece no livro de 1930 de Harry Craddock, The Savoy Cocktail Book, porém ele não alega ser o criador.

WHITE LADY COCKTAIL.
¼ Suco de Limão siciliano.
¼ Cointreau.
½ Dry Gin.
Bater bem e coar para uma taça de coquetel.

Harry Craddock, 1930

A receita revista de White Lady de MacElhone é "1/3 suco de limão, 1/3 Cointreau, 1/3 gin", ao passo que a de Craddock usa o dobro de gin, tornando-o um coquetel com base desse destilado.

Se foi Craddock que adaptou a receita de MacElhone ou MacElhone que adaptou a sua própria, para assim poder continuar a se declarar o criador da versão consagrada, a disputa fica mais nebulosa com a entrada de um terceiro pretendente. G. Selmer Fougner, na coluna Along the Wine Trail do jornal New York Sun, identifica a origem do White Lady no bar do restaurante Quaglino, em Londres. A verdade é que a identidade do bartender responsável pela criação do White Lady se perdeu no tempo, mas com certeza foi Craddock quem tornou o coquetel famoso.

Clara de ovo

As primeiras receitas, incluindo a do livro Harry's ABC of Mixing Cocktails, do próprio MacElhone, e a do livro de Harry Craddock, The Savoy Cocktail Book, de 1930, não mencionam o uso de clara de ovo. O primeiro registro se dá na receita de White Lady no livro de 1946 de Lucius Beebe, The Stork Club Bar Book, onde figura como parte de uma "miscelânea de coquetéis que o Ganymedes do Sr. Billingsley, do turno diurno, afirma estarem em alta demanda entre os condutores de carruagens."

White Lady
45ml oz gin.
22ml Cointreau
suco de meio limão
clara de ovo
Bater e servir em uma taça de vinho de 120ml.

Lucius Beebe, 1946

Tendo começado no American Bar do Savoy, onde Peter Dorelli sempre fez o seu White Lady personalizado com clara de ovo, esta adição se tornou a norma na maioria dos países. No entanto, embora os japoneses gostem de peixe cru, a tendência de acrescentar ovo cru em coquetéis sour ainda não colou entre os bartenders japoneses como Hidetsugu Ueno, que é veementemente contra o uso de clara de ovo em qualquer coquetel.

Acredito que a omissão da clara de ovo entre os japoneses é mais um juízo cultural do que de paladar, uma vez que a clara de ovo certamente deixa o White Lady mais arredondado. Além de torná-lo branco. Sob a espuma branca, macia e atraente, produzida por bolhas de ar na clara, encontra-se uma bebida de cor amarelo sujo que mal faz jus ao nome. Quem é contra o uso de clara de ovo alega que a bebida não tem esse nome por causa da cor, mas em homenagem às inúmeras damas brancas e fantasmagóricas da mitologia. Talvez seja, mas o amarelo sujo não é tão visualmente atraente como uma cabeça branca e fofa - e o drink fica mais gostoso assim.

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