Márcio Silva

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Escrito por: Marcelo Sant'Iago e Theodora Sutcliffe

A revista Drinks International lançou em julho de 2019 a lista das "100 Pessoas mais Influentes do mundo na indústria de bares" Para a surpresa de muitos, na 36a. posição está um brasileiro, Márcio Silva, bartender e sócio do bar Guilhotina. Ele é o único brasileiro na lista. Para se ter uma ideia do feito, ele está à frente de nomes lendários da indústria, como Charles Schumann, Dale DeGroff, Audrey Saunders e Julie Reiner. Vale ressaltar que a lista inclui não apenas bartenders, mas donos de bar, embaixadores de marca, organizadores de eventos, consultores e jornalistas, o que valoriza ainda mais sua posição.

Este é talvez o prêmio mais importante que Márcio acumula na longa carreira, construída principalmente na Europa. Ele foi abrir seu primeiro bar no Brasil, o Guilhotina, em São Paulo, apenas em dezembro de 2016. E de lá pra cá, acumula uma série de prêmios locais e internacionais.

A Carreira

Márcio Silva provou seu primeiro coquetel (sem álcool) com apenas 13 anos, depois que seu pai conseguiu um emprego em um bar, mas foi o esporte que o levou para a Europa.

Silva representou o Brasil no taekwondo quando era adolescente e esperava lutar nas Olimpíadas, quando o taekwondo tornou-se um esporte olímpico. "Eu fui a Londres fazer sparring, mas não podia lutar por dinheiro, pois tinha que ficar amador para as Olimpíadas", explica. "Então eu comecei a trabalhar meio período em um bar. Comecei no TGI Friday's como ajudante de bar e cheguei a treinador de bartenders da rede em toda Europa".

Márcio então encontrou seu lugar no compacto e amigável cenário de coquetelaria dos anos 90 em Londres. "Dick Bradsell estava trabalhando no Atlantic Bar & Grill e eu entrava e o assistia trabalhar, ficava no bar, conversava com ele ", relembra."Eu também passei muito tempo no LAB, observando como eles interagiram com os convidados e as técnicas de treinamento ".

Conhecimento bancado com segurança, ele conseguiu um emprego em Marbella, Espanha, trabalhando como treinador de bartenders. Em 2004, ele ajudou o Gorgeous Group a lançar o portfolio Diageo Reserve no Brasil. Em 2009, Silva estava pronto para voltar para casa e encontrar um lugar para si em São Paulo.

"Passei dois anos no Brasil me sentindo como um peixe fora d'água: não conseguia entender minha própria cultura", diz ele. "Então eu conheci o Spike Marchant e ele me chamou para gerenciar a final do Diageo World Class no Rio de Janeiro."

Silva passou seis meses morando no Rio de Janeiro, indo de bar em bar, preparando bartenders para a final e também gerenciou todos os bares e bastidores dos eventos da grande final. Ele também trabalhou por dois anos como embaixador global da cachaça Yaguara.

"Em 2016, recebi uma oferta para me mudar para Singapura e trabalhar lá, mas não queria sair do Brasil sem tentar tudo o que podia", diz Silva. "Jantei com meu pai e ele perguntou: "O quê você pode fazer no Brasil que ainda não fez antes?" Eu disse: "Eu nunca abri um bar para ser meu próprio bartender".

No dia seguinte, a sincronicidade ocorreu. "Eu estava com minhas últimas economias e queria abrir um bar com esse dinheiro. Literalmente, no dia seguinte ao jantar com meu pai, conheci Rafael [Berçot]", relembra Silva. "Rafael vem da indústria da construção civil e estava me dizendo como era difícil vender apartamentos. Eu nem disse uma palavra sobre abrir um bar, mas ele disse: Vamos abrir um bar juntos!"

Marcello Nazareth, o terceiro sócio do Guilhotina, entrou na equipe depois que o par olhou para um site que ele possuía e o convenceram a entrar nessa jornada de fé. "Tentei mesclar a eficiência dos americanos com os rituais e a experiência dos europeus e a disciplina dos japoneses", lembra Silva. "Como temos tantas influências de todo o mundo no Brasil, eu queria juntar tudo em um bar - mas eu não conseguia explicar. Eu tinha que dizer: Nós vamos ser sócios: apenas confiem em mim.'"

E parece que aquela liberdade criativa funcionou. Em apenas 6 meses, o Guilhotina foi finalista na categoria Melhor Novo Cocktail Bar Internacional no Spirited Awards (do evento Tales of the Cocktail), com indicações em outras 3 categoria: melhor bartender, melhor menu de coquetéis e melhor bar de alto volume. Além disso, Márcio e o Guilhotina venceram diversos prêmios locais como melhor bar, melhor bartender e melhor carta de coquetéis. Para culminar, em 2017 o Guilhotina entrou para a lista dos 100 melhores bares do mundo, um feito incrível se você considerar o tempo de existência do bar. Em 2018, ganhou posições no ranking e hoje é o melhor brasileiro na lista.

Agora, em 2019, Márcio está possivelmente em seu melhor momento, conseguindo usar toda sua experiência internacional para ajudar a desenvolver o mercado brasileiro e torná-lo relevante no cenário global de coquetelaria. "A cultura brasileira tem influências de todo o mundo e meus coquetéis combinam todas essas influências", diz ele.

A inclusão de Márcio Silva na lista das pessoas mais influentes da indústria mundial o coloca em uma posição de verdadeiro embaixador da coquetelaria brasileira no mundo. Estamos muito bem representados.

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Idade:
42

Natural de:
Assis Chateaubriand, Paraná

Profissão:
Bartender

Em:
São Paulo

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