Coquetéis com marca registrada legalmente

Escrito por Difford's Guide

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Coquetéis com marca registrada são controversos. Você está registrando o nome, a receita ou ambos? Você viola uma marca registrada ao fazer um coquetel com o mesmo nome, mas com um produto diferente? E quem policia esse domínio de propriedade intelectual?

De todos os milhares de coquetéis existentes, conta-se em uma mão aqueles que são marca registrada. São eles: Dark 'N Stormy (atenção à grafia com único apostrofo), Painkiller, Sazerac e o Hand Grenade .

O Dark 'N Stormy (Gosling's Black Seal Rum, ginger beer e suco de limão) é propriedade do Gosling's rum , o Painkiller do (Pusser's rum, suco de abacaxi, creme de coco, suco de laranja e no moscada fresca) é do Pusser's Rum ; o Sazerac (Sazerac Rye Whiskey, Peychaud's Bitters, açúcar e Herbsaint) da Sazerac Company e o Hand Grenade (receita secreta que leva mix de destilados com licor de melão) é do grupo de bares 721 Bourbon, de New Orleans - se você já esteve na Bourbon St. com certeza reparou em alguns deles.

O detalhe crucial sobre os coquetéis que são marca registrada é que é o nome que é protegido por lei, mas apenas para determinadas categorias especificadas, e não seus ingredientes. Você pode misturar quantas marcas de rum escuro quiser com ginger beer e limão, mas se insistir em chamá-lo de Dark 'N Stormy, poderá violar a marca registrada. Esse certamente é o caso se você engarrafar essa combinação de ingredientes e vender o produto que criou como um Dark 'N Stormy. De fato, você infringe a marca registrada da Gosling se vender qualquer bebida com a marca Dark 'N Stormy, independentemente de quais ingredientes usar.

Esse não é o único critério que deve ser considerado pelos entusiastas de marcas registradas. Um nome de coquetel não pode ser meramente descritivo dos ingredientes, portanto, você seria ridicularizado se tentasse registrar o humilde Vodka Soda, por exemplo.

O que há por trás de um nome?

Você também não pode registrar o nome de um coquetel como um local onde você pretende vende-lo. Soho Soda como nome para um Vodka Soda provavelmente não seria aprovado. "Mas, um Ben Nevis Soda pode ser bom, afinal, quem espera receber um Vodka Soda no topo de uma montanha escocesa?" diz Joanna Frears, chefe de propriedade intelectual do time de especialistas jurídicos em licenciamento da Jeffrey Green Russell.

O fato de haver tão poucos coquetéis com marca registrada é um sinal de quão complicado é essa esfera de propriedade intelectual e sugere que o processo não vale o tempo - ou é considerado inexequível - mesmo pelas mais ricas empresas de bebidas.

Tem que haver uma boa razão para registrar algo - seja tradição ou outra coisa única. No caso da Gosling's, sua marca registrada baseia-se nos milhões de dólares gastos na promoção e publicidade do Dark 'N Stormy para impedir que outras empresas de rum se beneficiem deste seu investimento.

Ao longo dos anos, tornou-se oficialmente "a bebida nacional de Bermudas", e sempre foi tradicionalmente feito com o rum Gosling's Black Seal. Mas, quando outras empresas de rum começaram a promover o coquetel no exterior, especialmente na América do Norte e na Europa Ocidental, a empresa mais antiga das Bermudas (a Gosling's opera lá desde 1806) procurou proteger seus interesses comerciais e registrou o nome.

"Começamos por registrar o nome nas Bermudas e depois nos tornamos globais", diz E. Malcolm Gosling, CEO da Gosling, "mas foi um processo lento e o orçamento era pequeno". Sem o apoio financeiro de uma empresa global de bebidas, a Gosling's optou por lugares óbvios: EUA, e a maioria dos países da Europa Ocidental, Caribe e Ásia.

Território dependente

Seu exemplo revela um fato adicional e elementar sobre as marcas registradas: elas são válidas apenas em determinadas regiões geográficas. No que Gosling's descreve agora como um "erro administrativo", eles esqueceram da Austrália e o nome Dark 'N Stormy agora pertence ao produtor local de rum Bunderburg. E esse fato torna o processo de marca registrada um pesadelo burocrático, logístico e jurídico, que a maioria das empresas não tem paciência. Como referência, as autoridades relevantes são o Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos e o Escritório de Propriedade Intelectual no Reino Unido. A União Europeia tem uma marca comercial comunitária que pode ser aplicada a todos os estados membros - a ressalva é se um nome não é aprovado em um país, ele é negado em todos eles.

Defendendo sua Marca

O estabelecimento de uma marca comercial também não é um evento único. Em vez disso, as marcas registradas devem ser comprovadamente protegidas por seus proprietários, tomar medidas oportunas contra aqueles que as violam e devem ser continuamente renovadas de acordo com a estrutura legal dos países em que estão registradas, com dez anos sendo um período típico de validade. Manter-se atualizado em todas as frentes traz custos legais previsivelmente elevados.

Em risco está o potencial de uma marca comercial se tornar uma frase descritiva cotidiana e, portanto, juridicamente inexequível. Joanne cita exemplos famosos, como gilete, aspirina e escada rolante, que mostram as consequências de ignorar isso. Esses termos tornaram-se genéricos.

Marcas registradas em bares

Mas como policiar o mundo dos coquetéis? Que tal um bar com um Dark 'N Stormy no menu, só que não com Gosling's? Aqui, a empresa não envia um exército de advogados, mas se concentra em conversar e educar para corrigir um erro que normalmente nasce da ignorância, e não da malícia. "A marca registrada do nome confundiu as pessoas de que estamos tentando controlar a mistura de rum, limão e ginger beer", diz Malcolm. "Nós não estamos fazendo isso. Somente quando você chama isso de Dark 'N Stormy".

A Gosling's certamente tem o direito moral de esperar que os bartenders que misturam um Dark 'N Stormy usem seu rum Black Seal. Afinal, é principalmente devido ao tempo e dinheiro que a marca investiu em marketing ao longo dos anos que levou o cliente a encomendar um Dark and Stormy em primeiro lugar. Mas, enquanto Gosling's tem inegavelmente um direito moral, é discutível se eles têm ou não um direito legal de forçar os bares a usar seu rum em um coquetel Dark and Stormy.

Para Gosling's, a briga começa se uma empresa rival tenta lucrar promovendo sua própria versão de Dark 'N Stormy. "Defendemos nossa marca com muita firmeza", diz Malcolm. A Gosling's teve uma briga pública em 2009 com o Zaya Rum por estarem se promovendo em cima de um Dark And Stormy

E não basta mudar o nome, diz Joanne Frears. Alterar a pontuação ou alterar sutilmente a ortografia não evita infringir uma marca registrada. "Nem pense nisso", diz Joanne. "O resultado é confusão no mercado e só porque um sinal de pontuação mudou, não torna a marca redundante".

A história do Painkiller

Da mesma forma, o rum Pusser's protegeu assertivamente o seu coquetel Painkiller, marca registrada nos EUA e no Reino Unido em 2003, quando forçou um bar a mudar seu nome em 2010. O bar tiki do Lower East Side, em Nova York, Painkiller (PKNY) foi forçado mudar de nome e abrir mão de seu domínio na web após um aviso de "cease and desist" e uma ação judicial. Infelizmente, o bar não sobreviveu à disputa legal. Fundamentalmente, a Pusser's registrou o nome Painkiller não apenas sob uma categoria de marca registrada - "bebidas alcoólicas", mas em diversas categorias, incluindo "serviços de restaurantes e bares". Pusser's pode não ter sido capaz de forçar o bar a usar seu rum em um Painkiller, mas certamente tinha, e ainda tem, o direito de impedir que alguém nos EUA nomeie um bar de Painkiller.

Resumindo

Conhecendo a história, será que Malcom Gosling se comprometeria com o tempo e as despesas que a marca registrada do Dark 'N Stormy custou à empresa? Sua resposta é bastante mais enfática do que a resposta usual de "sim ou não" e fornece orientação útil para outras empresas que consideram tomar esta atitude: "Se eu faria isso de novo? Sim e absolutamente não. Sim, porque quando começamos a exportar nosso rum escuro era uma ferramenta que nos permitia oferecer algo único. E absolutamente não: uma marca registrada exige uma enorme quantia financeira para protegê-la."

O fato é que a maioria dos coquetéis sobrevive sem ser registrada, com os proprietários da marca felizes em confiar no poder de seus embaixadores, na repetição de receitas de coquetéis publicadas e no boca a boca para estabelecer um padrão. A Bacardi, por exemplo, não registrou a marca Cuba Libre, apesar de promover incessantemente seu rum como pré-requisito para a bebida. Nem mesmo o Bacardi Cocktail é marca registrada. Mas é convenção fazê-lo com rum Bacardi.

Quanto ao Hand Grenade, não conhecemos ninguém interessado em criar sua própria versão.

Importante lembrar: é o nome que é marca registrada e não a receita

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