Cuba Libre - história e receita

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O Cuba Libre é simplesmente rum e Coca-Cola com um limão espremido. Mas há muito mais sobre este drink longo e refrescante. Deve conter Angostura bitters? Exatamente o quanto o suco de limão está certo? E, enquanto a bebida tem uma rica história, há debates sobre quando exatamente e quem o batizou de "Cuba Libre".

A receita

O Cuba Libre clássico é feito com suco de duas fatias de limão espremidas, que são jogadas dentro do drink depois de usadas. Como era de se esperar, na nossa receita de Cuba Libre nos preferimos usar a medida de um limão (com base no uso de um copo de 12 onças cheio de cubos de gelo): ¼ shot (7,5ml) com 2 traços de Angostura bitters. Ou ½ shot (15ml) se não usar bitters. Nossa preferência é reduzir a quantidade de limão e usar bitters.

Em seu livro de 1939, The Gentleman's Companion, Charles H. Baker Jr. pede que o limão seja macerado para extrair os óleos da casca. Ele escreve:

"Esta mistura nativa da ilha começou por acidente e pegou em toda parte até o sul, infiltrou-se através do norte e oeste. No último verão, por exemplo, nós encontramos "Kooba Lee-brays" 5.000 pés para cima, nas montanhas da Carolina do Norte em High Hampton. No ano anterior, na Cidade do México e em Seattle, na semana passada em Palm Beach e Cat Cay. O único problema com o drink é que ele começou por acidente e sem imaginação e foi levado adiante pela disponibilidade de seus ingredientes. De qualquer forma, é muito doce.

O que fazer?(...) Após experimentos clínicos que desagradariam nossos corretores de seguro, testamos diversas variações do original,com esse resultado: o Cuba Libre aperfeiçoado consiste de 1 grande jigger de Bacardi Carta Oro, o suco de 1 limão verde pequeno e a casca de limão após espremer. Coloque em um copo de Tom Collins, macerar bem para obter óleos essenciais, adicione bastante pedaços de gelo, complete com Coca-Cola gelada. Mexer uma vez e salud y pesetas".

Sugiro medir o suco de limão e espremer um par de twists de casca de limão no drink (e depois descartar), para dar uma quantidade certa de suco de limão, além de adicionar também os óleos da casca. Talvez também espremer um twist de casca de limão sobre o coquetel pronto.

Variações

O Cuba Pintada consiste em uma parte de rum, duas partes de club soda e apenas um pouco de Coca para "manchar"o club soda. No Cuba Campechana ("Cuba meio a meio") vai uma parte de rum e partes iguais de club soda e coca-cola.

A música

O Cuba Libre atingiu o pico em popularidade nos Estados Unidos durante a década de 40, em parte ajudado pelas Irmãs Andrews, que em 1945 tiveram um hit single com "Rum e Coca-Cola", em homenagem aos ingredientes do drink. Durante a guerra, toda a produção de destilados foi suspensa para produção de álcool industrial - na ausência de uísque e gin, os americanos voltaram-se para o rum importado do Caribe. O açúcar também foi racionado, limitando assim a fabricação de muitos coquetéis clássicos e afetando a produção de refrigerantes como ginger ale. No entanto, a Coca-Cola permaneceu disponível durante todo este tempo.

A história

Como muitas histórias, há mais de uma versão de como o Cuba Libre ("Cuba livre" em espanhol) nasceu e por quem foi batizado. A seguinte descrição segue a versão da família Bacardi. Ela era dona da marca dominante de rum na ilha naquele tempo (seja lá quando) e é a marca identificada mais frequentemente com a bebida - como na narrativa de Charles H. Baker acima.

O Cuba Libre nasceu da Guerra de Independência de Cuba com os espanhóis, uma guerra na qual, como a maioria dos cubanos, a família Bacardi esteve envolvida. No final da década de 1890, os combatentes anticolonialistas de Cuba foram chamados de Mambí. Emilito Bacardi, filho mais velho de Emilio Bacardi, era um deles. Começou seu serviço militar como ajudante de campo do Major General Antonio Maceo, o "Titã de Bronze" de Cuba, lutando contra os espanhóis nas densas florestas de Cuba ou manigua. Durante a guerra, ele foi promovido a coronel e acabou conhecido como "El Coronel".

A guerra mal havia acabado quando, no final de 1898, Warren Candler (irmão de Asa Candler, então dono da Coca-Cola) navegou para Cuba, a primeira de vinte viagens deste tipo. Como resultado das visitas de Warren a Cuba, em maio de 1899 a empresa contratou um comerciante de vendas para vender xarope de Coca-Cola para uso em fontes de soda e nomeou José Parejo, um comerciante de vinho de Havana, como o distribuidor cubano para a Coca-Cola.

Em 1900, a Coca-Cola era popular e amplamente disponível em Cuba, por isso não foi surpresa quando os soldados americanos que ainda estavam baseados lá começaram a pedir Bacardi Cuban Rum com Coca-Cola e limão espremido. Acredita-se que um soldado em particular, o capitão Russell, do U.S. Sinal Corp, foi quem começou com esta tendência quando, em agosto de 1900, pediu a combinação em uma bar de Havana. Naturalmente seu drink despertou o interesse dos soldados ao redor e, em pouco tempo, o bar inteiro estava bebendo aquilo. O Capitão propôs um brinde "Por Cuba libre!", para celebrar uma Cuba livre. Felizmente para a posteridade, o evento é confirmado por uma declaração juramentada de uma testemunha, Fausto Rodriguez.

Rodriguez foi mensageiro pessoal do General Wood, nomeado o governador militar de Cuba depois de entrar em Santiago de Cuba em 17 de julho de 1898, logo após a vitória de Roosevelt na batalha de San Juan Hill. Depois que a República de Cuba nasceu, em 20 de maio de 1902, o General Wood deixou Cuba e Fausto Rodriguez retornou a Santiago de Cuba. Sessenta e cinco anos depois, em 21 de dezembro de 1964, Rodriguez contou a Emilito Bacardi a seguinte história, sob juramento:

Durante o período de intervenção militar, dois americanos abriram e operaram um bar chamado The American Bar, na Rua Neptuno, entre o Consulado e o Prado, em Havana. A clientela era quase que exclusivamente formada por soldados americanos e civis também americanos, que trabalhavam em vários escritórios governamentais em Havana.

Em 1899, fui empregado como mensageiro no escritório do U.S. Army Signal Corps, onde tornei-me bastante amigo de um americano cujo apelido era Russell (não me lembro de seu nome). Ele trabalhou no escritório do Chief Signal Officer. O Sr. Russell freqüentemente me levava para o American Bar, onde costumávamos beber rum Bacardi com Coca-Cola

Numa tarde de agosto de 1900, fui ao American Bar com o Sr. Russell, e ele bebeu seu habitual rum Bacardi com Coca-Cola. Eu só bebia Coca-Cola, tinha apenas 14 anos de idade. Naquela ocasião, havia um grupo de soldados americanos no bar e um deles perguntou ao Sr. Russell o que ele estava bebendo. Ele disse que era rum Bacardi com Coca-Cola e sugeriu que experimentassem, o que eles fizeram.

Os soldados que bebiam o rum Bacardi Rum com Coca-Cola disseram que gostaram e queriam saber como o nome do drink. Quando o Sr. Russell disse-lhes que o drink não tinha um nome, um dos soldados disse, "vamos dar-lhe um". Outro disse: "Que tal chamá-lo de "Cuba Libre"? Todos concordaram e pediram outra rodada de rum Bacardi Rum com Coca-Cola, chamando-a de Cuba Libre. Pelo meu melhor conhecimento, esta foi a primeira vez que a frase "Cuba Libre" foi aplicada a um drink. Assim, o primeiro Cuba Libre consistia de rum Bacardi e Coca-Cola.

Durante a intervenção americana, as palavras Cuba Libre - que significa Cuba Livre - tiveram um significado político especial e foram muito utilizadas pelos cubanos e americanos em Cuba. Parecia bastante natural que os soldados americanos tivessem escolhido este slogan popular para o drink, que consideravam nativo de Cuba, consistindo de rum Bacardi Rum e Coca-Cola. O nome pegou rapidamente e manteve-se popular até o momento. (sic)

Este testemunho juramentado acima foi usado pela Bacardi em uma campanha publicitária dos anos 60 e a história de Rodriguez foi citada em um livro por Charles A. Coulombe.

No entanto, alguns questionam a sequência de eventos acima, argumentando que a Coca-Cola não estava disponível em Cuba durante a guerra hispano-americana. Mark Pendergrast escreve no capítulo 5 de seu ""For God, Country and Coca-Cola, The Definitive History of the World's Most Popular Soft Drink" (lançado em português em 1993, pela Ediouro) que a Coca-Cola não foi comercialmente engarrafada até 1899 (um engarrafamento anterior de 1888 ficou com sabor ruim a ponto da experiência ter sido abandonada e outras tentativas durante a década de 1890 não conseguiram distribuição significativa). De acordo com a página 93, a Coca-Cola nomeou um comerciante de Cuba como vendedor de xarope para fontes e não de garrafas, em maio de 1899. Ou seja, um ano após a guerra ter terminado, em agosto de 1898, e as tropas americanas, os "Rough Riders", terem sido retirados (setembro de 1898 ). A própria Coca-Cola Company afirma que a Coca-Cola chegou a Cuba em 1900.

Sobre Coca-Cola em Cuba na década de 1890, eis o que o livro tem a dizer:

p.69: "Quando os Estados Unidos entraram em guerra com a Espanha ,em 1898, Thomas tornou-se secretário de um comissário cubano, onde ficou impressionado com a popularidade de uma bebida de abacaxi carbonatada chamada Piña Frio. Ao voltar para Chattanooga no ano seguinte, decidiu que talvez sua fortuna estava no engarrafamento da bebida popular de fonte de soda, Coca-Cola (...) que foi então conseguir um contrato de engarrafamento para partes dos Estados Unidos, não Cuba".

p.93: "A guerra acabou mal quando, no final de 1898, Warren Candler partiu para Cuba, a primeira de vinte visitas. Ao retornar, informou entusiasticamente que Cuba era "nosso campo mais próximo, mais necessitado e mais maduro " (...) Depois de ouvir sobre este "campo maduro" de Warren, Asa prontamente alistou Jose Parejo, um comerciante de vinho, como um atacadista de Havana para Coca-Cola em maio de 1899".

Segundo a Wikipedia: "Coca-Cola foi vendida em garrafas pela primeira vez em 12 de março de 1894. As latas de Coca-Cola surgiram pela primeira vez em 1955. O primeiro engarrafamento da Coca-Cola ocorreu em Vicksburg, Mississippi, na Biedenharn Candy Company em 1891. Seu proprietário era Joseph A. Biedenharn. As garrafas originais foram garrafas Biedenharn, muito diferente do design que muito mais tarde tornou-se marca registrada da marca".

Segundo o The Biedenham Coca-Cola Museum: "respondendo a seu questionamento recente via carta, informo que foi no verão de 1894 que nós engarrafamos pela primeira vez Coca-Cola, no endereço 218-220 Washington Street, Vicksburg, Mississippi. "

Lendo isto, ficam poucas dúvidas de que a Coca-Cola estava disponível em Cuba em 1900 e foi quando o Sr. Russell batizou a bebida de "Cuba Libre". Acho que nem todos os soldados norte-americanos deixaram Cuba em setembro de 1898. E todos sabemos o quanto é difícil retirar tropas depois que os EUA e seus aliados intervêem em um conflito de outro país.

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