Coquetéis com cerveja: muito além do Submarino

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À primeira vista, cerveja e coquetéis podem parecer como água e óleo: uma mistura impossível. Não é bem assim. A alquimia sequer é novidade: nossa Caracu com ovo vem do Porter Flip, de 1891. E os sobreviventes dos anos 80 lembrarão de outro clássico que leva cerveja como base, o Submarino: pilsner com toque de limão, borda de sal e uma dose de tequila virada no copo, para ir soltando gole a gole.

Mundialmente, existe ainda o clássico Michelada, criado no México, com cerveja, suco de limão e pimenta (com variações que podem incluir suco de tomate e destilados). Ou o londrino Black Velvet, criado na segunda metade do século 19 e que leva uma parte de stout, originalmente Guiness, e uma parte de champanhe.

O que há de novo é que esses dois mundos – o de coquetéis e o das cervejas – evoluiu tremendamente nos últimos anos no Brasil. O gosto se sofisticou, a exigência cresceu e as possibilidades tendem a se multiplicar. E agora um alerta: se você ainda está naquela onda da “estupidamente gelada”, “trincando”, e sequer imagina que cerveja tem tonalidades, texturas, aromas e sabores diversos, oriente-se. O conselho é rever seus hábitos.

O paladar do brasileiro subiu alguns degraus nos últimos anos. Amargou um pouco. As IPAs viraram moda por aqui. Negroni virou moda por aqui. Cafés (de qualidade) passaram a ser consumidos sem açúcar. Chocolates têm cacau como maioria da composição. Um baita avanço para uma população que, até muito recentemente, era pautada por açúcar – e pilsen.

Para a especialista em cerveja Carolina Oda, a mudança de perfil tem a ver com algo bem específico. “Acredito que tudo isso seja consequência do crescimento da gastronomia”, avalia.

O também especialista Marcelo Cury aponta o macro. “Saímos da tradicional pilsen para encontrar opções de marcas e estilos em qualquer mercado. Posicionamento que fez a própria Ambev abrir seu portfólio.”
Cury pega a deixa e faz o link com o mundo da coquetelaria. “Talvez a invasão de IPAs tenha ajudado a amadurecer o paladar do brasileiro para o amargor. E, com isso, drinks como Negroni foram melhor recebidos. Muitos cervejeiros “hop heads” tem uma queda justamente pelo amargor.”

O casamento visto pelo ângulo contrário, das cervejas inspiradas em coquetéis, também é bem-vindo. Oda cita três exemplos nesta categoria, a Improved Old Fashioned da Brooklyn, a estranhíssima e apimentada Frank’s Blood Mary e a paulistana Heroica SuperSonic SourTonic, inspirada em um gin tônica, com pepino e zimbro na fórmula.

Nossa cena

Por aqui, os bares de coquetaria ainda engatinham em ofertas de drinks com cerveja. Talvez porque, mesmo com a cena crescendo exponencialmente, clássicos continuam sendo os mais pedidos. Ou: novos drinks são sempre um risco. Ainda mais com um ingrediente que o brasileiro já bebe em larga escala.

Carolina Oda volta o olhar novamente para o amargor. “São dois universos que rompem com a nossa cultura da cana-de-açúcar. Na coquetelaria os bitters são essenciais. Na cerveja, o lúpulo é essencial. Deve ter muita gente que fala que ama Negroni e IPA porque está na moda.”

Há ainda a questão da complexidade ao se misturar cerveja com outras bebidas: “As vertentes amargor, dulçor, florais, herbais, frutados e principalmente carbonatação, presente na cerveja, podem ser um grande desafio ou dor de cabeça”, avalia Cury. “Posso contar nos dedos drinks que levavam cerveja e estavam com os ingredientes em harmonia.”

Entre os acertos bebidos por ele está o Mai Ta-IPA, criação do barman americano Jacob Grier que acrescenta IPA ao Mai Tai clássico (de rum, limão e licor de laranja). Grier é um dos grandes, para não falar o grande, entusiasta e estudioso da cerveja em coquetéis. É autor de Cocktails on Tap: The Art of Mixing Spirits and Beer, lançado em 2015 e que reúne mais de 50 receitas.

É cedo dizer se a promissora cena de cerveja se unirá à badalada cena da coquetelaria para criar novas nuances em larga escala. Assim como é justo afirmar que o bebedor brasileiro está “menos aventureiro” (palavras de Marcelo Cury) . Na dúvida, escolha bem suas cervejas, tenha critério ao entrar em um bar de coquetelaria. E retomando o início neste texto: os tempos estão mudando. Se um bartender sugerir um drink misturando seu destilado preferido a lúpulo, não hesite: o conselho é ampliar seus hábitos.

Nossos coquetéis com cerveja

Peroni Negroni com Italian lager
Angel Wore Red com Italian lager
Huckle My Buff com porter
De Beauvoir com smoked porter
Smoky Mocha Spritz com smoked porter
Weissen Sour com cerveja de trigo

Coquetéis com Guiness

Coquetéis com IPA

Coquetéis com Pilsner Lager

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